O que acontece depois de uma pandemia?

No meio de uma crise, raramente achamos que aquilo pelo qual passamos poderá ser positivo. Dificilmente acreditamos que algo bom possa vir e somos inundados pelo pessimismo e medo.

Imagine-se então no ano de 1350, no auge da Peste Negra (ou Peste Bubônica), que matou entre 75 e 200 MILHÕES de pessoas (cerca de 1/3 da população mundial da época). Some-se a isso que era um período de pouca informação e boa parte da população acreditava que aquilo era uma praga dos céus e se perguntavam se seriam atingidos pela maldição mortal ou não – – ok, muita gente também acredita nisso hoje. A Peste negra foi uma das maiores pandemias da história humana.

Mapa de avanço da Peste Bubônica na Europa. fonte: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=1811698

Fato é que, no decurso dos anos, mesmo com recursos infinitamente menores do que temos hoje, a peste foi diminuindo em importância para a população européia quando surgiram medidas de saneamento e limpeza nas cidades, de maneira a evitar a proliferação dos ratos e pulgas e também a adoção de quarentenas, obrigando a população sadia a ficar dentro de casa.A cremação dos mortos também foi adotada de maneira que o os sobreviventes não entrassem em contato com o vírus. Porém, apesar de reduzir significativamente, até hoje essa peste não foi totalmente erradicada.

Curiosamente, o primero surto da Peste Negra ocorreu na China provavelmente em 1330. Veio para a Europa através de comerciantes genoveses (a unificação italiana só vai acontecer séculos depois) e a partir da região que hoje chamamos de Itália se espalhou pela Europa.

Esse momento acaba sendo um grande marco do final da Idade Média, ou Idade das Trevas (denominação dada pelos Humanistas). Mas então, o que veio depois dessa pandemia devastadora?

Um dos períodos mais maravilhosos da história da humanidade: O Renascimento.

Iniciado na Italia, o Renascimento não foi apenas um movimento artístico que aconteceu somente na arte, arquitetura, música, literatura, etc. Ele também foi um movimento econômico e político muito rico.

Graças a essa grande ruptura, o mundo europeu passa a se expandir e busca novas rotas comerciais, consagram novas formas de ver o mundo, passam a valorizar o homem, libertam os seus servos, vão para as cidades criando uma burguesia que consolida um novo sistema social, político e econômico.

Surgem teorias cientificas nas quais acreditamos até hoje (como a teoria Heliocêntrica) e grandes astrônomos, filósofos, matemáticos, físicos, entre outros cientistas que admiramos até hoje, são frutos desse Renascimento. Veja se reconhece alguns desses nomes: Copérnico, Galileu, Descartes e Isaac Newton.

Na literatura tivemos Dane Alighieri, Maquiavel, Shakespeare, Cervantes e Camões. Na arquitetura Brunelleschi, Bramante, Paladio, entre outros.

Santa Maria Del Fiore | Duomo de Firenze. Imagem: Wikimedia commons

Mas o que mais conhecemos, sem dúvida é a magnitude do Renascimento nas artes. Difícil imaginar o que seria da História da Arte sem Michelangelo, Donatello, Rafael, Veronese e Tintoretto.

Toque de Deus. Michelangelo / Public domain

Mais difícil ainda imaginar um mundo sem Leonardo da Vinci. Artista, cientista, engenheiro, inventor, fez estudos de anatomia e talvez a maior contribuição individual para tantas áreas diferentes na história.

Homem vitriviano | Leonardo Da vinci. Imagem: Leonardo da Vinci / Public domain

Assim, uma grande crise, com tantas mortes e um momento que o medo e a doença assolaram a Europa, foram capazes de gestar o que particularmente considero o movimento mais admirável da história humana: o Renascimento.

_________

Curta nossas redes sociais:

Insta: @criticaexpografica | Face: facebook.com/criticaexpografica

_________

Crítica Expográfica é escrito por Renata Figueiredo Lanz, que, além de produtora de conteúdo neste blog também é diretora de criação da Renata Figueiredo | design gráfico + expografia . Para entrar em contato envie um e-mail para renata@refigueiredo.com.br

_________

Gostou do post ou tem uma outra opinião? Deixe seu comentário abaixo.