#5 Qual é a necessidade da arte? Qual o papel dos museus pós pandemia?

Durante o período de pandemia a nossa maior companhia tem sido a arte e a cultura, mas qual é o lugar da arte e do museus na nossas vidas?

Na palestra para o #PinaLive, promovido pela Pinacoteca do estado de São Paulo Mario Sergio Cortella fala sobre o papel dos museus e da cultura na retomada pós pandemia.

O filósofo inicia a palestra citando o livro de Ernest Fischer, no seu livro “A necessidade da Arte”,  e então questiona: qual é a necessidade da arte?

Cortella nos explica a perspectiva de perenidade da nossa existência transmitida pela arte, em contraponto à utilidade dos objetos do cotidiano.

Mesmo que a experiência de estar frente a frente a obra de arte seja insubstituível, a arte ameniza a sensação de estar confinado em casa durante a pandemia.

Diz ainda que a capacidade de criar e de inventar é inerente ao ser humano. E a capacidade de contemplar as obras artísticas também nos pertence.

Mas a arte –manifestada através da arquitetura, escultura, pintura, música, poesia, dança e cinema – é dotada de um imenso valor para o ser humano: a arte é capaz de cessar a dor.

Ao fim da pandemia, poderemos nos deparar com a maior força da inventividade humana e nos emocionar.

No momento, o que temos é a possibilidade de apreciá-la virtualmente, de forma a cessar a dor do aprisionamento.

Veja abaixo o vídeo completo da palestra do Professor Cortella.

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#3 Museus, exposições e arte: 8 cursos gratuitos

Fizemos uma seleção de 8 cursos sobre museus, exposições e arte oferecidos gratuitamente durante a quarentena.

EXPOGRAFIA

O Curso “Para fazer uma exposição” faz parte do programa Saber Museu do Ibram (Instituto Brasileiro de museus). Disponível apenas no formato podcast no momento. disponível em 4 módulos:

  1. O que é uma exposição
  2. Pensando a exposição
  3. Planejando a exposição
  4. Executando a exposição

MUSEUS

O Curso museus e patrimônio, da UFRGS, trata de uma ampla gama de assuntos que envolvem o museu.

• Módulo I: definições teóricas de museu, histórico e políticas.
• Módulo II: planejamento e gestão estratégica, sustentabilidade e inovação em museus e leis de financiamento da cultura.
• Módulo III: relações entre museus e economia, sobre a administração de museus como empresas e também sobre modelos de negócios e economia digital.
• Módulo IV: Marketing social, posicionamento estratégico, ferramentas de comunicação e estratégias de internacionalização para museus e patrimônio.
• Módulo V: utilização de tecnologias nos museus, a inovação tecnológica e formatos de acesso virtual.

ARTE

A Casa do Saber está com acesso liberado até 30/04/2020, inicialmente. Quatro cursos sobre arte bastante interessantes, vale fazer o cadastro e entrar nos links abaixo.

  1. Caravaggio
  2. Leonardo da Vinci
  3. Introdução a história da arte
  4. Arte contemporânea nos dias de hoje

O MoMa possui diversos cursos bastante interessantes e gratuitos, dos quais se destacam:

  1. What is Contemporary Art?
  2. Art & Activity: Interactive Strategies for Engaging with Art

MAIS CURSOS, PALESTRAS E LIVES.: toda semana publicamos nos stories do nosso Instagram @criticaexpografica os mais interessantes de cada semana.

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#2 Museus e exposições: 7 experiências virtuais

Que tal aproveitar a semana para conhecer as diferentes tipologias de experiências virtuais expográficas? Conheça 7 experiências bem diferentes de visitas virtuais a museus e exposições.

  1. INSTITUTO TOMIE OHTAKE – Visita guiada por Mariana Palma na exposição LUMINA

A própria artista apresenta a exposição e a proposta expográfica, caminhando pela exposição.

É possível entender a espacialidade do museu, compreender a proposta expográfica e interpretar as obras através do olhar da artista. É feito um recorte pela artista e o foco em obras  é claro. O visitante definitivamente não se perde na exposição, como acontece em outras experiências abaixo descritas.

Porém parece faltar um diálogo com o curador da exposição, o que enriqueceria a conceituação do espaço e das obras.

A artista Louise de Borgeois diria que “Uma obra de arte não precisa ser explicada. Se você não sente nada, não posso explicar. Se isso não te tocar, eu falhei”. Essa visão certamente é compartilhada por inúmeros artistas, curadores, entre outros. Mas em tempos de isolamento e experiências museológicas exclusivamente virtuais, será que este mesmo raciocicío se aplica?

2. CCBB do Rio – visita mediada pelo curador Hélio Márcio Dias Ferreira da Exposição Ivan Serpa

A seleção de obras apresentada pelo curador intercala a apresentação do artista, da sua forma de trabalho, da técnica e história. Percorrendo a exposição Hélio Ferreira mostra as obras segundo um recorte próprio, como não poderia deixar de ser.

Muito interessante poder ver esses raros momentos em que o curador pode falar com um grande público, confinado e tendo como único meio visitar exposições mediadas ou filmadas.

O curador nos contamina com sua paixão pela obra e pelo artista. Porém a apresentação é um pouco longa e o animado curador, um pouco prolixo, se considerarmos o tipo de mídia em que a exposição é apresentada.

Ivan Serpa no CCBB do Rio de Janeiro

3. BANSKY EM CASA

Bansky no seu banheiro: O contraditório e divertido Banksy resolveu criar (e expor) em seu banheiro, com seguinte título: My wife hates it when I work from home. (Minha mulher odeia quando eu trabalho em casa).

Com o tema já familiar dos ratos, e a impossibilidade de “expor” suas obras já que em geral cria obras a céu aberto, Bansky cria uma obra em sua própria casa e a expõe para o mundo no instagram e no seu site.

Interessante observar a “volta” do momento em os próprios artistas escolhem a maneira como vão expor, como acontecia no início do século passado:

“No passado, entretanto, a coisa não era bem assim, já que o próprio artista era muitas vezes curador, montador e vendedor de suas obras. Cabiam a ele os critérios para a montagem da exposição. Exposições não institucionais, como a histórica mostra de Courbet que ele próprio realizou no espaço a que chamou Pavillion du Réalisme, em 1855 ou ainda, no âmbito nacional, a controvertida Exposição de arte moderna organizada por Anita Malfatti, em 1917, e apresentada num salão na rua Líbero Badaró, em São Paulo, são exemplos dessa prática do artista.

Foram artistas também que, a partir dos anos de 1920, começaram a inovar a maneira de distribuir as obras no espaço, até então padronizada pelo Louvre, ou seja, com as obras ocupando toda a parede, separadas apenas pelas molduras. Assim, grandes nomes da arte moderna internacional como Kurt Schwitters, El Lissitzky e Marcel Duchamp contribuíram de maneira definitiva para uma nova maneira de apresentar a produção de arte moderna”. Vide texto completo na exposição que apresentamos na semana passada: https://artsandculture.google.com/exhibit/a-arte-de-expor-arte/sgICVbQQ8IsKJA

Duchamp também pode ser referenciado aqui não só pela exposição feita pelo artista, mas pela sua obra de arte no banheiro, com seu famoso mictório, a “Fonte”.

Poucas obras de arte impactaram e influenciaram tanto a maneira como se a vê a produção cultural quanto Fonte, do pintor, escultor e poeta francês Marchel Duchamp. Cem anos depois de sua criação, a obra mantém acesa a discussão em torno do seu valor e do que é ou não arte.”

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2017/03/14/interna_diversao_arte,580402/voce-sabia-que-um-mictorio-mudou-o-rumo-da-arte.shtml

4. MUSEU DO ORATÓRIO – Oratórios: a religiosidade no cotodiano

Link para o site

O interessante “passeio” pela exposição não pretende similar o ambiente do museu.

O Museu entende que o espaço virtual e o físico são muito diferentes para que se transmita o conteúdo da mesma maneira. Ele cria então uma exposição em que se é possível entender o recorte da curadoria. As “aberturas” de salas ficam bem claras pela marcação de textos de cores bastante diferentes.  É possível enxergar as obras em detalhes.

O contraste entre fonte e fundo dos “textos de aberturas de salas” é bastante gritante (roxo + amarelo) e dificulta a leitura. É possivel abrir a ficha museologica completa das obras e depois ver os seus detalhes, mas isso é feito em uma nova janela e se torna pouco prático.

5. PINACOTECA – EXPOSIÇÃO DE LONGA DURAÇÃO

link para o site

O passeio virtual pelo segundo andar da pinacoteca permite ver uma planta geral em 3D da pina antes de selecionar uma sala.

Nele pode-se ver as legendas em destaque e dar zoom nos textos de abertura das salas, lendo na íntegra, porém só se pode se ler as legendas determinadas pela exposição, que são poucas por sala. O ponto mais prejudicado são as obras de arte, que são em grande parte distorcidas como no google street view e também não permitem a aproximação, ficando muito pequenas.

6. MUSEU AFRO

https://artsandculture.google.com/partner/museu-afro-brasil

O passeio virtual pelo museu é semelhante ao google street view.

Nele é impossivel ler as legendas e uma parte dos textos de parede. A grande profusão de obras confunde um pouco e fica difícil focar em algo.

Como as obras são grandes e é permitida uma boa aproximação, há um nível de detalhes possível de visualizar melhor do que os da Pinacoteca, mas o zzom grande desfoca as imagens. O subsolo pareceu ser amelhor experiência.

Muito mais interessante que a visita virtual, outras experiências no próprio museu se destacam, como a entrevista com o curador, em que ele explica de forma sucinta a exposição. Porém essa visita mediada ao espaço parece fazer mais sentido no universo digital. 

Museu Afro Brasil

7. INSTITUTO TOMIE OHTAKE – “Tomie Ohtake – Poesia se Medita”

Na forma de um filme em que um visitante vai percorrendo a exposição e mostrando quadro a quadro, o que vê. Sem nenhum som.

Nele é possivel parar o vídeo e apreciar um pouco mas a luz e os ângulos de leitura as vezes são bastante ruins. A noção especial se perde.

Considerações sobre as experiências: uma visita virtual que prentende entrar no museu e simular uma visita real, acaba se tornando confusa e com muitos itens para se ver. Infelizmente o espaço virtual não pode ser substituído e outras maneiras de mostrar os objetos para o “visitante” de maneira que ele possa apreender o conteúdo talvez seja mais eficaz.

O excesso de objetos e informações no espaço físico já dificulta o foco e a compreensão dos conteúdos propostos pela curadoria. No espaço virtual isso se amplifica e a exposição acaba perdendo o interesse pela falta de foco.

São aqui mostradas aqui então diversas experiências de visitas virtuais a exposições. Qual delas você mais aprecia? Porque?

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#1 Museus e quarentena: o melhor da semana

Depois de quase 1 mês em casa, você que é apaixonado por museus, estuda, trabalha ou visita com frequência, já está sentindo falta de visitas, conteúdos, palestras, etc. Então, enquanto durar a quarentena, farei uma curadoria de conteúdo disponibilizando o melhor para casa semana.

13/03 – SEGUNDA-FEIRA às 18:00
MASP LIVE NO INSTAGRAM

O diretor artístico Adriano Pedrosa e a curadora adjunta de histórias Lilia Schwaecz conversam sobre os conceitos de histórias que deram origem à 3 exposições em 2016 e uma em 2018: Histórias da Infância, da sexualidade e histórias afro-atlânticas além de História das mulheres e histórias feministas. Acessar o perfil @masp no Instagram.


14/03 – TERÇA-FEIRA
Baixar GOOGLE ARTS & CULTURE E VER A EXPOSIÇÃO “A ARTE DE EXPOR ARTE”

A exposição “A arte de expor arte”, sob curadoria de Regiane Cintrão, apresenta um texto muito interessante que envolve a história das exposições, expografia e museografia no Brasil e no mundo. Bastante conciso, o texto dá um panorama das mudanças ocorridas no âmbito da expografia, desde o tempo em que a arte de expor ficava a critério do próprio artista até o momento em que os arquitetos e designers começam a transformar este panorama. Pode ser acessado no computador também, através do link: https://artsandculture.google.com/exhibit/a-arte-de-expor-arte/sgICVbQQ8IsKJA

16/04 – QUINTA-FEIRA- 10:30 às 12:00
Curso online: filosofia e arte contemporânea: Louise Bourgeois.

Aula dada pela incrível Magnólia Costa, online, através do MAM. Valor da aula: R$ 105,00. Conheci Magnólia em um curso sobre arquitetura de museus e posso afirmar que ela é uma excelente professora. Não conheço as aulas sobre filosofia, mas acredito que sejam tão boas quanto, pois ela é dotada de conhecimentos profundos sobre o que fala, além de um humor bastante peculiar. https://mamcursos.byinti.com/#/ticket/eventInformation/G7snSQU7HhmqjK47f8Wc

17/04 – 19-04 – SEXTA-FEIRA E FINAL DE SEMANA
Curso GRATUITO sobre Velazquez no Museu do Prado.

Conta a história da criação do edifício e a suas polêmicas até a transformação em museu público. Considera Velazquez como o pintor dos pintores neste museu que se considerada mais de artistas do que de história da arte.

Sobre a usabilidade: escolher a versão gratuita do curso (o valor é somente para quem deseja um certificado). Para quem não entende tão bem espanhol, recomendo fortemente assistir em versão mais lenta. (clicar em detalhes no canto direito do vídeo e escolher a velocidade de reprodução 0.75).

https://miriadax.net/web/velazquez-en-el-museo-del-prado-3-edicion-/inicio

CURSO VELAZQUEZ

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A luz nas exposições e museus: ofuscamento

Você já foi a uma exposição e não conseguia enxergar a legenda simplesmente porque refletia a luz? Ou ainda você já não conseguiu ler ou ver o que estava na vitrine por conta do reflexo da luz, das sombras ou do seu próprio reflexo?

Museu de anatomia Veterinária da USP. Vitrine com reflexos das janelas atrás.

Isso ocorre por erros no Controle de Ofuscamento. Ofuscamento é alguma que faz com que o que você deseja ver fique menos visível, fique confuso ou a visão pareça turvada. Ele acontece com a reflexão da luz nos objetos da exposição.

É muito importante controlar o ofuscamento nas exposições para que os visitantes não percam o interesse no que está sendo visto. Afinal, se há alguma dificuldade em enxergar o que quer ser dito, o esforço vai cansando o visitante e ele se desinteressa pelo tema. Então o conforto visual para a leitura e visualização das peças deve ser prioridade em projetos de iluminação de museus e exposições.

Para evitar o ofuscamento podem ser utilizadas inúmeras técnicas utilizando a luz natural e artificial.

Na iluminação natural:

  • Iluminação zenital: dar preferência a esse tipo de iluminação. Ela permite que a luz natural venha por grandes aberturas feitas no teto dos ambientes.  Em geral indicada para salas ou corredores de exposição mais amplos. Em ambientes, pode ser utilizada para aumentar a dramaticidade de alguma exposição, de forma intencional.
  • Usar também tipos de vidros/acrílicos ou materiais translúcidos (e não transparentes) nessas aberturas. Isso possibilita que a luz entre de maneira difusa e não penetrem os raios de sol diretamente no ambiente.
  • Evitar o uso de janelas e iluminação natural lateral. No caso da construção de um museu, é possível projetá-lo sem janelas nos espaços expositivos. Quando o espaço já existe devem ser feitos controles de ofuscamento através de brises, películas ou outros aparatos específicos.

Na iluminação artificial:

  • Uso de luminárias adequadas. Existem luminárias específicas para controle de ofuscamento no mercado e a escolha deve ser adequada as necessidades de cada projeto.
  • Controle de Ofuscamento. Este é o fator fundamental para o controle do ofuscamento em exposições e o mais difícil de executar. Quanto mais superfícies especulares, maior a reflexão. Mas a reflexão também pode ocorrer em obras de arte, legendas posicionadas no foco de luz, etc.  Por isso é necessário a contratação de um arquiteto de iluminação.

“Não existe uma solução garantida para este problema; assim, os projetistas precisam estar cientes de todas as fontes potenciais de ofuscamento e reflexão. Os problemas acarretados pelo ofuscamento são complexos e não podem ser evitados quando se projeta apenas com plantas baixas; o problema do ofuscamento exige que o projetista pense constantemente em 3 dimensões e visualize a cena que o usuário experimentará”. (INNES, 2014, p.99)

Veja o exemplo de como foi solucionado o problema das reflexões de luz em obras e balcões de vidro no museu de vida e arte religiosa de Saint Mungo, em Glasgow, Reino Unido (INNES, 2014, p.101):

Problemas de reflexão no projeto do Museu de Vida e Arte Religiosa de Saint Mungo, Glaslow, Reino Unido. A luz reflete em todos os vidros e obras criando ofuscamento. Fonte: INNES, 2014, P. 101.

Solução: redução do contraste com lâmpada dimerizável, santa, e refletor desenvolvido especialmente para este projeto. Fonte: INNES, 2014, P. 101.

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Para saber mais sobre os tipos de iluminação – natural, artificial, difusa, focada, etc – conheça nosso outro artigo: Como acertar na iluminação da exposição?

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Museus: para que e para quem?

A resposta parece ser uma só. Mas as formas de expressá-la são inúmeras.

A questão “Para que servem os museus e para quem são destinados?”, aparentemente simples, parece carregar a mesma complexidade que o questionamento “O que é arte”?

Talvez por isso, na última conferência em Kyoto, a assembléia geral do ICOM (Conselho Internacional de Museus) não tenha conseguido chegar a uma redefinição sobre o tema e ela tenha sido adiada para daqui a 1 ano.

Foi, inclusive, aberta em 2018 a possibilidade de sugestões para redefinições, tal qual a alternativa:

“Museums are democratising, inclusive and polyphonic spaces for critical dialogue about the pasts and the futures. Acknowledging and addressing the conflicts and challenges of the present, they hold artefacts and specimens in trust for society, safeguard diverse memories for future generations and guarantee equal rights and equal access to heritage for all people.

Museums are not for profit. They are participatory and transparent, and work in active partnership with and for diverse communities to collect, preserve, research, interpret, exhibit, and enhance understandings of the world, aiming to contribute to human dignity and social justice, global equality and planetary wellbeing.” (https://icom.museum/en/activities/standards-guidelines/museum-definition/)

Porém, após as discussões na conferência em 7 de setembro de 2019, a definição de 24 de agosto de 2007, ocorrida em Viena, permanece:

“A museum is a non-profit, permanent institution in the service of society and its development, open to the public, which acquires, conserves, researches, communicates and exhibits the tangible and intangible heritage of humanity and its environment for the purposes of education, study and enjoyment.” (https://icom.museum/en/news/the-extraordinary-general-conference-pospones-the-vote-on-a-new-museum-definition/)

As definições oficiais sempre ocorrem em inglês e francês, mas a tradução para o português seria: “Museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público e que adquire, conserva, investiga, difunde e expõe os testemunhos materiais do homem e de seu entorno, para estudo, educação e deleite da sociedade”.

Temos hoje então esta definição como diretriz para pensar o museu, as exposições e o seu público. Definição essa que já foi muito discutida pelo ICOM, que conta também com o brasileiro Bruno Brulon como presidente do ICOFOM. Quem já teve a honra de ouvir uma palestra de Brulon, sabe que se trata de alguém notável, e que cada frase proferida por ele carrega um grau de complexidade e conhecimento profundos em museologia e museografia.

Mas claro que se a definição está em discussão, é porque carrega questionamentos sobre alguns termos, como se viu no simpósio do ICOFOM em Junho de 2017 em Paris. (http://network.icom.museum/icofom/meetings/previous-conferences/defining-the-museum/)

Grande parte das palavras é examinada pelo que refletem, mas não por conta da essência do museu, que se mantém a mesma. Como por exemplo:

  • O museu é inegavelmente um lugar voltado para pesquisa e é unânime que ele não pode trabalhar sem ela. As coleções só podem ser exploradas, entendidas e enriquecidas através da pesquisa. Questiona-se apenas se “study” (estudo) é a palavra que realmente reflete esse conceito e não seria melhor “research” (pesquisa). A palavra é revista em seu significado  e interpretação, mas jamais se nega a essência.
  • Sem fins lucrativos parece ser um termo que causa muita confusão. O museu deve ser um lugar em que a confiança dos visitantes no objeto exposto e no que é dito deve ser estabelecida. Quando não há um financiamento de uma empresa ou de um indivíduo, o museu pode expressar as suas idéias livremente, comprometido com os resultados de suas pesquisas, sem censura. Mas o fato dele ser sem fins lucrativos não significa que ele não arrecade dinheiro para se autofinanciar. O objetivo não é o lucro (enriquecimento pessoal) de um financiador. Para esclarecer essa diferença, questiona-se se não há uma palavra mais adequada.   

A discussão sobre os termos é bastante extensa, mas, como se vê, as principais indagações a respeito da terminologia se referem a melhor esclarecer as funções e objetivos do museu (para que e para quem serve o museu) e não a sua essência, que é ser um local de pesquisa que expõe as suas descobertas para o benefício da sociedade e sem vínculo com nenhum financiador que possa censurar a sua liberdade.

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Visita ao museu do museu. Em um mundo de exclusividade e luxo.

Grande Museu egípcio: fachada.

A experiência de ser o primeiro parece ter vindo para ficar. Depois de Gaudi, na Sagrada Família, ter marcado a sua obra pelo click instantâneo e quase exclusivo, agora vários museus tendem a vender experiências únicas a preços exorbitantes.

E é isso que ocorre no Grande Museu Egípcio, que será inaugurado em 2020. A obra com custo faraônico – cerca de 1 bilhão de dólares – fica próxima as pirâmides e pode ser visitada com exclusividade por cerca de 4 horas ao módico custo de US 250,00 ou mais de R$ 1.000,00 na cotação de hoje.

A visita exclusiva permite que você seja o primeiro a tirar uma selfie em frente aos artefatos encontrados na Tumba de Tutancâmon ou ainda possa fazer a sua pose junto com a colossal estatua de Ramses II (e quem sabe se dar conta da própria pequenez).

Grande Museu Egípcio e a estátua de Ramses II.

A necessidade de viver uma experiência única e marcante – ou ainda de ser o primeiro – tem marcado fortemente a sociedade contemporânea e isso invadiu o mundo das exposições.

Não importa onde você vá, mas tem que visitar aquele museu que ninguém foi, ou aquela exposição que ninguém conhece e, claro, registrar e postar para mostrar que a sua importância equivale a de Ramses II, dado que você foi o primeiro a estar lá com ele na sua nova casa.

Os museus, por sua vez, descobriram nas selfies uma grande ferramenta de marketing e arrecadação.

Em cerca de 10 anos as redes sociais transformaram também a experiência expográfica: ao invés de “proibido fotografar” hoje os museus permitem e estimulam as selfies. E criam exclusividade e luxo a preço de ouro para que você seja o primeiro a fazer um clique (ou milhares deles) e postar na sua rede social.

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Os apagamentos históricos que nos mobilizam (e nos fascinam)

Fogo! E agora?

“(…) a longevidade dos museus e de suas coleções está relacionada ao seu uso social. Edifícios repletos de coisas não bastam para que o museu funcione, é preciso que haja uma interação eficaz com as pessoas e a comunidade do seu entorno.” (Ewbank, 2019)

Em um interessante artigo sobre o aparecimento e desaparecimento dos museus do Rio de Janeiro, Cecilia Ewbank nos conta um pouco da história do surgimento do Museu Nacional e do seu desaparecimento.

O ponto mais interessante desta história é perceber como o Museu ressurgiu diante da sua morte. Após o incêndio, a mobilização nacional fez com que inúmeras pesquisas se iniciassem e uma nova relação de apreço a sua coleção desaparecida – ou os seus restos mortais coletados – surgisse.

A possibilidade do apagamento da memória nacional nos deixou carente de informações e cuidados com o acervo, mesmo para aqueles que jamais passaram na frente do museu.

Caso semelhante ocorreu há alguns anos com o MASP, quando duas obras foram roubadas e a visitação nos dias seguintes explodiu.

Tendemos portanto a criar uma relação de apego ao acervo material apenas depois que ele desaparece, como se precisamos entrar em contato com aquilo que perdemos para nos despedir. A grande questão é que, na maioria das vezes, sequer sabíamos que aquele objeto – ou um museu inteiro – existia.

Fica então a questão: por que essa relação de perda, de uma história quase inexistente para nós inicialmente, se cria? Qual o sentimento despertado em nós?

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Qual a diferença entre expografia e museografia?

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Foto: Ana Elisa/Portal EBC

 

A diferenciação desses termos é sempre bastante polêmica, pois são conceitos que estão associados e muitas vezes, confundem-se. Desta forma será esclarecida aqui a diferença entre os termos, utilizando o pequeno glossário de exposições, proposto por Desvallées em 1998.

 

“A expografia é a arte de expor. O termo foi proposto em 1993, para complementar o termo museografia para designar a colocação em exposição e aquilo que diz respeito a ambientação, assim como o que está ao seu redor, nas exposições (com exceção das outras atividades museográficas, como a segurança, a conservação, etc), e que essas últimas se situam em um museu ou em um lugar não museal. Ela visa a pesquisa de uma linguagem e de uma expressão fiel para traduzir o programa científico de uma exposição”. (DESVALLÉES, 1998)

Já a museografia é o campo do conhecimento responsável pela execução dos projetos museológicos. Através de diferentes recursos – planejamento da disposição de objetos, vitrines ou outros suportes expositivos, legendas e sistemas de iluminação, segurança, conservação e circulação – a museografia torna possível apresentar o acervo, com o objetivo de transmitir, através da linguagem visual e espacial, a proposta de uma exposição.

 

“A museografia, termo que aparece pela primeira vez no século XVII, se define como a museologia prática e aplicada. Ela está subordinada à museologia e aplica as conclusões teóricas as quais a museologia chegou. (…) A museografia compreende as técnicas necessárias para preencher as funções museais e particularmente aquelas que concernem a gestão do museu, a conservação, a restauração, a segurança e a exposição. Mas, o uso da palavra museografia, em francês, tende a designar nada mais que a arte – ou as técnicas – da exposição. É por isso que, desde alguns anos, o termo expografia foi proposto para designar apenas ao que concerne as exposições, sejam elas em um museu ou em um espaço não museal”. (DESVALLÉES, 1998)

 

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5 qualidades que o site do seu museu tem que ter para atrair mais visitantes!

A imagem do seu museu é a imagem da sua marca: sim, marketing! Não tem como fugir dele, se você quer atrair visitantes. Muitas vezes o site é o primeiro contato que o futuro visitante tem com a sua instituição, então ele tem que atrair o seu visitante, refletindo a imagem do seu museu de forma positiva.

Abaixo itens a serem observados que ajudam a tirar o visitante da cadeira e levá-lo a conhecer a exposição.

1. Qualidade das imagens. 1 imagem vale mais que mil palavras. Ela atrai – ou repele – o visitante. Ela aumenta ou diminui a sua expectativa sobre a exposição. Veja o exemplo abaixo, como busca usar imagens de impacto.

Screen Shot 2016-04-06 at 15.14.15 .png

2. Textos de chamada. Ainda no exemplo acima, veja como is textos curtos e chamativos, em geral com exclamações, chamam mais atenção.

3. Quantidade de imagens: menos é mais. Não adianta encher o seu site de imagens. O visitante vai se interessar por algumas imagens, de preferência grandes, do seu negócio. Você não precisa ilustrar tudo o que diz. Em geral o visitante já sabe o que procura quando entra no site. Você pode chamar a atenção para uma exposição mais recente, mais interessante. Mas não para tudo que tem no museu. Veja o exemplo abaixo: que importância tem de fato todas as imagens em cima, que se repetem novamente ao lado? O site fica confuso e com muitas informações. E informação demais, não comunica quase nada. Ou nada. O visitante fica confuso e desiste.

Screen Shot 2016-04-06 at 15.20.19 .png

4. Qualidade e quantidade dos textos escritos. Parece obvio, mas veja o texto do Museu Histórico Nacional. Abaixo grifo as menções piores e comentários a respeito.

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“O circuito de longa de exposições de longa (HEIN?) duração inicia-se no térreo, no hall das escadas rolante (CONCORDÂNCIA?), com painéis contando a história do conjunto arquitetônico. Destaque para a monumental escultura equestre de D. Pedro II, de Francisco Manoel Chaves Pinheiro.
No hall do segundo pavimento, tem-se acesso à galeria com teto decorado por Carlos Oswald onde é projetado o multivisão (QUEM? O QUE?) sobre a trajetória do Museu Histórico Nacional.
Após a exibição, exposições abrangem da pré-história brasileira ao período republicano: acervo tradicional, peças contemporâneas e recursos multimídia auxiliam o visitante na compreensão de nossa história.
O pavimento térreo concentra serviços (auditório, loja, café ) e exposições temporárias.
A única exposição de longa duração a permanecer no pavimento térreo é a referente aos meios de transporte, “Do Móvel ao Automóvel – Transitando pela História”, devido às dimensões do acervo (PRECISA DESTA INFORMAÇÃO?). Ainda no térreo, no Hall dos Arcazes, estão expostas pinturas cusquenhas. […]”

Enfim, é importante uma revisão do texto, uma clareza nas informações e, principalmente, observar a relevância das informações escritas. E, quanto menos prolixo, mais chance do seu leitor se tornar um visitante.

5. Arquitetura do site: o visitante deve conseguir alcançar o objetivo que o levou a página rapidamente. Ainda no exemplo do museu histórico nacional, veja a quantidade de itens que ele deve ler, até encontrar o link que deseja. Veja ainda o pouco espaçamento neste índice lateral, o que torna o texto confuso.

Quanto menos itens, mais fácil do seu visitante encontrar as informações que busca na página. Você pode trabalhar com subitens, colocando exposições de longa duração e temporárias embaixo de apenas um link, “exposições”. E a coerência também costuma ajudar: Veja que o índice ao lado chama de “exposições permanentes” (termo já em desuso) e a página se chama “exposições de longa duração”.

Enfim, a imagem de um museu deve ser cuidada da mesma maneira e com os mesmos conceitos de branding que usamos em marcas, considerando como pilar da comunicação a coerência e continuidade. Ou seja, todos os elementos do museu devem ser comunicados de acordo com os valores da instituição e com uma imagem coesa.


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Este conteúdo foi escrito por Renata Figueiredo Lanz que, além de produtora de conteúdo no blog Crítica Expográfica é diretora de criação da Renata Figueiredo | design gráfico + expografia . Para entrar em contato envie um e-mail para contato@refigueiredo.com.br


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