3 exemplos de porque os museus devem repensar a política de selfies

Mesmo antes do fechamento e reabertura dos museus, havia um grande dilema em relação a fotos e selfies tiradas em frente as obras: preservar a integridade das obra em detrimento do crescimento do público ou permitir a divulgação dos museus nas redes sociais através de fotos e selfies e correr o risco da sua destruição?

Antes das redes sociais propiciarem a divulgação dos museus e gerar a atração do público, a preservação das obras era a prioridade. Se quiser uma recordação, compre na lojinha.

Muitos museus proibiam fotos por inúmeras razões sem medo, desde a preservação da obra até a forma como atrapalhavam o fluxo das exposições, como era o caso do Museu do Futebol no Brasil, em 2009, quando entrevistei Daniela Alfonsi, hoje diretora técnica do museu.

Depois da popularização das selfies em redes sociais, os museus se encontram em uma situação delicada: claramente há prejuízos em permiti-las – seja na destruição do patrimônio ou em outros âmbitos – mas o lucro também é importante, afinal o museu precisa sobreviver. O que fazer então?

Foram inúmeros casos até hoje de visitantes destruindo parcialmente obras ou até derrubando parte de uma exposição para fazer uma selfie.

No dia 31 de julho desse ano ocorreu novamente um incidente, dessa vez na Itália, em que um visitante senta em uma escultura para tirar uma foto e quebra os dedos dos pés da estátua de Paolina Bonaparte, feita há mais de 200 anos pelo escultor Antonio Canova, como mostra o vídeo abaixo:

Escultura de Paolina Bonaparte, de Antonio Canova (1757-1822), que teve 3 dedos dos pés quebrados por um turista que se sentou para fazer uma foto.

Neste outro episódio em 2017, uma visitante destrói uma instalação em Nova Iorque, “14h Factory”, gerando um efeito dominó impressionante.

Em 2016, um brasileiro derrubou uma escultura em madeira de “São Miguel” do século XVIII.

Escultura derrubada por um turista brasileiro em Lisboa.

Esses são os exemplos mais conhecidos e mais graves. Mas a política de permitir as selfies e fotos para divulgar os museus causa prejuízos em quase todos eles.

Fica então a questão: Será que existe um “caminho do meio” entre a permissão de selfies e a preservação do patrimônio ou vamos ter que optar por um deles?

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5 razões porque você deve ser contra a destruição das estátuas de carrascos racistas

O terrível assassinato de George Floyd deu início a uma onda de protestos que culminou na destruição na Europa e Estados Unidos de algumas estátuas de personagens ligados ao tráfico de escravos negros. Porém esse aniquilamento de um símbolo, pode ser muito mais problemático a longo prazo do que preservar-lo. As implicações são inúmeras, mas são citadas aqui apenas 5 para que você reflita antes de apoiar e repetir no Brasil esse aniquilamento da memória.

  1. Derrubar uma a estátua não afasta o problema

O fato de destruir um o patrimônio funciona muito bem na mídia como um símbolo de uma revolta. Os protestos são válidos e devem acontecer. Mas destruir o patrimônio está longe de eliminar o problema racial e o seu efeito a médio e longo prazo é muito pior do que preservá-los por inúmeras razões, dentro das quais discutiremos somente cinco aqui neste artigo.

É natural que todos nós queiramos destruir aquilo que nos incomoda. Mas a verdade é que precisamos ser incomodados. Somente esse incômodo nos leva a transformação. É a presença do problema que nos traz a transformação e não a ausência dele no fundo de um rio.

O patrimônio nos serve portanto para a reflexão e com o objetivo de gerar esse incômodo para trazer à tona as questões que desejamos esquecer mas precisam estar presentes nas nossas vidas. É apenas trazendo o problema à luz que vamos mudar a sociedade e a sua forma de agir e não derrubando um símbolo de opressão.

2. Os apagamentos históricos e seus efeitos

Fonte: Cottonbro/Pexels

Retirando um símbolo de uma praça pública ou de um museu, se deseja apagar aquele episódio ou aquela pessoa da história.

Porém, esse ato além de não apagar o problema, “joga a sujeira para debaixo do tapete”, como se ele não tivesse existido e, pior, se a sociedade não tem consciência de que certa atrocidade existiu, a possibilidade de que os erros se repitam é enorme. Imagine como seria se deletassem Hitler da história?

O registro histórico torna a barbárie presente a qualquer tempo e a preservação da memória nos faz não querer repeti-lo.

Ao invés de destruir o monumento feito originalmente para homenagear um carrasco racista, seria muito mais interessante construir mecanismos de mediação que exponham o problema e mostrem que historicamente ele não é um líder e nem um exemplo a ser seguido. 

3. Efemeridade x materialidade

Alguns grupos defendem que a destruição trouxe a tona as questões pois as fotos foram amplamente divulgadas nas redes sociais e isso se tornou viral. Porém, qual o efeito do seu post no instagram nos próximos 50 anos?

Uma peça de museu é um objeto de estudo e reflexão contínuos, que são  revistos, ressignificados e estudados à luz de novas descobertas ou concepções sociais.

Acreditar que a repercussão nas redes pela força das imagens tem efeitos a médio e longo prazo na história chega a ser ingênuo. Não podemos estudar a memória e a história apoiados em bolhas de sabão.  

4. Revendo a história: o negro como vítima x negro atuante

Fonte: Clay Banks/Unsplash

Na história do Brasil e do mundo o negro é visto como vítima, sem protagonismo ou capacidade de ser agente social.

Desde o ensino básico fomos levados a imaginar que o negro seria mais fácil de ser escravizado que o índio e uma série de lugares-comuns  de uma história superficial que era ensinada nas escolas.

Se você ainda não concorda, então responda: qual costuma ser o grande símbolo da escravidão na maioria dos museus brasileiros? A algema, a corrente e a chibata.

Artigos, teses e mestrados mostram que o escravo negro foi muito mais do que isso e que considerá-lo como ser passivo sem protagonismo histórico é um grande erro.

Especialmente nas cidades, existiam categorias de escravos que eram importantes agentes sociais, participantes, atuantes e relevantes para a sociedade. Essa nova visão que, apesar de não deixar de lado as questões cruéis da escravidão, exalta a figura do negro forte, resistente e atuante em uma sociedade colonial, o coloca o negro na posição de protagonista e não somente de vitima, traz força e auto-estima para os afro-descendentes. Nesse sentido, derrubar estátuas de agressores, continua a enfraquecer a presença do negro no cenário nacional e mundial.  

Por todas essas questões, é muito mais proveitoso para a sociedade a longo prazo re-significar um símbolo ao invés de destruí-lo.

5. Exija dos museus o protagonismo na história, não a destruição de monumentos

Museus são espaços de reflexão, discussão e inquietação. Museus milionários tem sido construídos no Brasil e se transformado em espaços de apagamento.

Dois museus em especial, que são frutos de críticas aqui no blog, o Museu do Futebol e o Museu de Congonhas, tem a questão racial como grande incômodo a ser evitado.

O primeiro exalta o brasileiro como um miscigenado criativo. Esse lugar comum da criatividade advinda da mistura de raças ignora todas as questões advindas do futebol. Em depoimento recente um grande técnico ainda reforça que xingamentos no futebol para os negros não tem importância. Onde está esse espaço de questionamento dentro da exposição de longa duração do museu? Veja a crítica completa aqui no blog.

Já o Museu de Congonhas, que foi criado em um dos grandes centros da escravidão do Brasil para homenagear o Barroco Brasileiro e por consequência Aleijadinho, se esquece da questão racial. Este artista, grande protagonista do Barroco era um filho de português com a sua escrava. Foi alforriado pelo pai. A história dele, que começa assim, foi minimizada em virtude do grande gênio que se tornou. E quais outros tantos apagamentos temos por trás dessa história?

Enquanto os museus brasileiros forem encarados como espaços de entretenimento e lazer, feitos para serem fotografados e viralizados nas redes sociais sofreremos com esses apagamentos que se perpetuam na educação não formal e durante gerações acreditamos na história que nos é contada.

Ao invés de destruir esculturas, exija a presença desses conflitos nos espaços de reflexão.

Portanto está na hora de entendermos a gravidade das consequências do dinheiro público ser utilizado para a construção de parques temáticos e não de museus, na acepção original do termo.

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Da criação à percepção da exposição: o passo a passo do processo afetivo

Exposição no jardim da Casa das Rosas: de 1 a 20 de outubro de 2019. Foto: Renata Figueiredo-Lanz.

Todas as pessoas que criam e dão vida a uma exposição tem uma visão muito diferente sobre ela em relação ao público que as visita. Durante o mestrado, entrevistei cerca de 20 profissionais de diversas áreas e todos mostravam um brilho nos olhos ao falar de alguma exposição que fizeram e que causou grande emoção.

Porém, quando nas visitas a tais exposições, muitas vezes não era possível enxergar aquela magia e sempre ficou a questão: onde está essa lacuna entre a intenção, com um conteúdo muito bem produzido e a expressão deste conteúdo na expografia?

Em outubro, durante a concepção de um projeto, uma possível resposta surgiu.

A exposição sobre Câncer de Mama criada em outubro de 2020, foi resultado de uma pesquisa e produção fotográfica com 30 pessoas portadoras de câncer metastático que responderam à questão: “O que eu gostaria que você soubesse sobre o câncer de mama”?

Suas respostas quebram paradigmas, preconceitos e nos fazem refletir. Seja sobre a origem, questionando o fator genético, sobre o preconceito de ser contagioso, sobre a forma de detectar ou ainda o ainda gênero afetado, essas 29 mulheres e 1 homem nos mostram que há muito o que aprender.

Durante o projeto, o envolvimento e a emoção são inevitáveis. Ler e reler essas histórias é fruto de grande emoção.

Conheça um pouco sobre a produção do conteúdo, anterior a criação do projeto expográfico.

As fotos artísticas que deram origem a exposição são tão envolventes quanto as histórias. Quando se concebe um painel e a leitura e releitura de cada texto ocorre várias vezes ao dia, bem como o posicionamento de imagens ou ainda a composição dos painéis muda, não é um simples processo de design gráfico e de exposições: é a criação de um vínculo afetivo com aquelas pessoas e o reconhecimento dos seus valores e importância.

Quando a exposição é finalmente montada, depois de um árduo trabalho, chega-se a um outro nível de reflexão, desta vez sobre a expografia. Observando os visitantes percorrerem a exposição, é possível entender a razão pela qual os criadores da exposição o conteúdo tem uma visão tão peculiar, tão emocionante e, às vezes isso não se reflete para um visitante que passa apressado: envolvimento leva tempo.

Neste caso, durante a concepção, cada história foi lida e cada foto observada atentamente, de um panorama bem próximo e individual. Cada pessoa é vista de forma única e individual, diferente de um painel com 30 depoimentos e fotos.

Então nesse ponto, você pode se questionar: será que o excesso, a quantidade tiram a individualidades cada dor e tornam tudo um coletivo só, diminuindo o seu significado? Será que a grande quantidade de histórias expostas faz com que a percepção sobre cada indivíduo seja diminuída em sua individualidade? Sim e não.

Se você passa apressado, a única coisa que vê é a quantidade de informação. Mas, se parar para ler, consegue perceber que cada indivíduo tem sim a sua história e pode sim cativar, emocionar e desenvolver vínculos. A questão reside então no tempo que o visitante dedica a isso.

Ao contrário do que menciono no artigo: “A imagem como substituto do patrimônio material: a fotografia como desvalorização do objeto”, aqui cada indivíduo é identificado, tem a sua história contada e emociona, gerando curiosidade para a próxima foto e história.

A intenção de chocar ao colocar um homem na ponta do painel – e não no meio – atingiu o objetivo esperado: chocar os homens que acreditam que isso seja uma questão apenas feminina. Em algum tempo observando os visitantes pode-se perceber que sim, os homens se identificam e param para ler. Essa quebra sequencial chama a atenção para algo ainda pouco divulgado: homens também tem câncer de mama.

Homens também tem câncer de mama. Foto: Renata Figueiredo-Lanz.

Uma pequena – e quase imperceptível – diferença no design, que faz com que o indivíduo se destaque em um contexto de coletividade.

Mas, sobretudo aquele que parar para olhar a exposição e ler algumas dessas histórias vai atingir o objetivo principal: refletir. O visitante deve sair diferente do que entrou e esse é o objetivo – ou deveria ser – de toda a exposição: gerar reflexão, questionamento e transformação. Cada ser é único e deve ser fortalecido em sua individualidade.

Claro, faça a sua selfie, passeie pela exposição, afinal o local é lindo e a exposição foi feita com muito carinho. Além disso, hoje o marketing vem disso.

Porém, pare, leia e reflita sobre essa visão diferente do outubro rosa: não é mais um anúncio sobre prevenção, é sobre pessoas reais que estão com câncer mas, principalmente, sobre pessoas que estão vivas, tocam em frente e tem esperança. Mesmo com tantas dificuldades, ainda há um lado cor de rosa.

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Conheça museus realmente interativos (e pare de ser enganado)

Atualmente no Brasil os termos “interatividade” e “experiência multisensorial” são alardeados como um grande ganho ao visitante, convidado a fazer filas na frente dos museus.

Chegando lá, a grande decepção. O museu (supostamente) interativo é na verdade um espaço repleto de gadgets tecnológicos que seguem a lógica abaixo, do artigo “O fetiche da interatividade em dispositivos museais: eficácia ou frustração na difusão do conhecimento científico”:

“o uso recorrente e irrefletido das novas tecnologias nas salas de exposição tem levado a uma sacralização equivocada dos dispositivos digitais como melhores alternativas para a instauração da interatividade e do prazer nas experiências museais”*

Ou seja, os gadgets supostamente interativos são prioritários e predominantes na exposição, em detrimento da experiência real. Chegamos agora ao limite em que a exposição é somente o dispositivo interativo, como na exposição sobre Leonardo Da Vinci em São Paulo no MIS Experience.

Porém, hoje procurando outro tema, encontrei um exemplo significativo de interatividade, experiência multissensorial e ainda uma experiência memorável no museu. Isso tudo trabalhado com crianças, criando uma primeira experiência no museu a ser lembrada para o resto da vida, e consequentemente uma memória afetiva que os farão voltar a esse espaço.

As experiências vistas e descritas no vídeo abaixo podem ser analisadas de dois pontos de vista (no mínimo).

  • interatividade e multisensorialidade. Esses conceitos são percebidos realmente acontecendo. Veja o nosso artigo sobre interatividade. Já em relação a experiência multissensorial perceba como os cinco sentidos (tato, olfato, visão, audição e paladar) são efetivamente trabalhados nessas atividades.
  • considera a fase do desenvolvimento infantil e não tenta “encaixotar” a criança em um universo em que não se pode tocar, correr ou experimentar. Segundo Rudolf Steiner**, a criança de 0 a 7 anos usa todas as suas forças para o desenvolvimento do seu corpo. Por isso a idéia de ficar parado em frente a um objeto sem poder tocá-lo ou experimentá-lo parece entediante e gera rápida dispersão e desinteresse. Sensações e impressões que podem ser levadas para toda a vida.

Por outro lado, experiências criadas pelo Tropenmuseum Junior em Amsterdam, não foram premiadas à toa. Criam de fato experiências que são relatadas por adultos anos depois como algo memorável, que criou uma relação afetiva com os museus.

De Qi van China – Chinatour voor scholen no Tropenmuseum

Nela, de fato, a interatividade a experiência multissensorial foram muito além da mera publicidade imediatista.

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O efêmero mais importante que o histórico

Há algum tempo atrás, um dos leitores do blog teve uma discussão calorosa defendendo que cada um deveria ter a fruição que mais lhe apeteça e que eu, ao defender que as pessoas não deviam circular pelo museu fazendo selfies sequenciais sem olhar para as obras, seria preconceituosa e retrógrada. Pois então, justamente um brasileiro, entra em um museu português e claramente não olha para a obra, pois é muito mais importante retratar os seus 2 segundos em frente a obra do que os 300 anos em que ela foi guardada, estudada e conservada. Será mesmo que mostrar para os seus amigos a felicidade aparente em uma exposição (que no fundo a pessoa não viu) é tão importante a ponto de destruir o patrimônio. Será que o marketing gerado pelos milhares de selfies postados traria um retorno suficiente para compensar a perda de pelo menos duas (veja o artigo) obras de arte? artigo: http://orapois.blogfolha.uol.com.br/2016/11/07/brasileiro-destroi-estatua-de-300-anos-ao-tirar-selfie-em-museu-de-lisboa/?cmpid=compfb _________ Curta nossas redes sociais: Insta: @criticaexpografica | Face: facebook.com/criticaexpografica _________ Crítica Expográfica é escrito por Renata Figueiredo Lanz, que, além de produtora de conteúdo neste blog também é diretora de criação da Renata Figueiredo | design gráfico + expografia . Para entrar em contato envie um e-mail para renata@refigueiredo.com.br _________ Gostou do post ou tem uma outra opinião? Deixe seu comentário abaixo.

Quando refletimos? Quando paramos?

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Há uma febre que critica “Pokemon Go” como se este fosse o grande problema nos nossos tempos. Agora ele chegou aos museus e exposições e já divide o público entre os críticos ferrenhos e aqueles que querem trazer o público para o museu a qualquer custo. Muitos chamam os usuários do jogo de zumbis ou de alienados. Contudo, a alienação gerada pelo jogo nada mais é do que um reflexo da alienação geral, de seres humanos com os seus dispositivos móveis que, teoricamente, nos conectam com o mundo. Faz algum tempo me incomodo com a necessidade de se estar conectado o tempo inteiro. Outro dia, no supermercado, a promotora de vendas de uma produto alimentar, digitava freneticamente no celular e se escondeu entre as caixas de cerveja ao ver a aproximação de uma pessoa (eu, no caso). Nem olhou para a frente, simplesmente continuou digitando, se embrenhou entre as cervejas e esqueceu que o seu trabalho seria oferecer o produto da bandeja que carregava. Na sequencia, no mesmo supermercado, um repositor de produtos, passa empurrando um carrinho enorme, vazio, de volta para o estoque, também digitando no celular, sem olhar para a frente. Em um balcão, várias pessoas (inclusive eu) com a comanda na mão esperam a vez de uma atendente, enquanto a outra digita no seu celular, fingindo não ver o mundo a sua volta. Dou a volta no balcão e chego na lateral, de frente para a atendente com o papel. Ela vira de costas e continua digitando, ignorando a presença de um cliente. Mas, o que isso tem a ver com exposições? Tem a ver com a forma que as gerações estão encarando o mundo e, consequentemente, as exposições e o conhecimento nela retido. O ser humano não reconhece mais o outro, nem o que ocorre no mundo a sua volta. Passa o tempo todo ligado, conectado, não presta mais atenção a sua volta. Nesse contexto, quando, realmente o cérebro descansa e pára para olhar o outro? E para refletir sobre o que está acontecendo consigo ou com o próximo? Ou ainda para fazer conexões entre conhecimentos, refletir sobre determinados temas, antes de reagir sobre eles? Segundo Jean Davallon*, em uma exposição, trabalhamos com um jogo de retenções. Ou seja, para absorver conteúdos, o visitante é estimulado em pontos mais fortes ou mais fracos da exposição, tendo inclusive momentos de descanso, que o permitem absorver e refletir sobre o que foi dito. É portanto em um momento de menor estímulo que o visitante vai conseguir estabelecer conexões. Como então, um cérebro hiperestimulado por recursos multisensoriais das exposições, excesso de informações vindas de dispositivos móveis e nenhum momento de “descanso” vai conseguir refletir sobre algo, criar conexões e até analisar criticamente um conteúdo? Como as pessoas que não estão mais acostumadas a ficar 2 minutos paradas pensando (nem na fila, nem no trânsito, nem no restaurante, nem com os amigos) vão estabelecer algum tipo de raciocínio não só nas exposições, mas na escola, faculdade, política ou ainda em uma conversa com amigos? O tempo para a reflexão ou ainda para o descanso do cérebro, valorizado por Domenico de Mais em seu “ócio criativo”, parece ter evaporado. Não descansamos, não tiramos férias, não nos desconectamos. Aonde está então o espaço para pensarmos? Será que ele ainda existe? Será que teremos tempo para parar e pensar antes de reagir? Ou simplesmente um pouco de tempo para parar e não pensar em nada, como faziam os nossos pais nas férias, em frente ao mar? Pokemon Go vai embora em breve, como o Candy Crush e tantos outros. Ele só jogou na nossa cara questões que já existiam. Os tão criticados zumbis alienados andando pela rua atrás de um Pokemon refletem a realidade de todos nós, olhando para baixo, dia e noite, buscando notícias ininterruptamente (seja em um jornal ou em uma rede social), digitando e-mails, mensagens, postando fotos ou fazendo algo realmente importante e inadiável no celular, no meio da rua, no trânsito, no trabalho, na exposição, no museu, no consultório, no restaurante ou no centro espírita. *DAVALLON, Jean. L’exposition a l’oeuvre: stratégies de communication et médiation symbolique. Paris: L’Harmattan, 2000. _________ Curta nossas redes sociais: Insta: @criticaexpografica | Face: facebook.com/criticaexpografica _________ Crítica Expográfica é escrito por Renata Figueiredo Lanz, que, além de produtora de conteúdo neste blog também é diretora de criação da Renata Figueiredo | design gráfico + expografia . Para entrar em contato envie um e-mail para renata@refigueiredo.com.br _________ Gostou do post ou tem uma outra opinião? Deixe seu comentário abaixo.

O que é design de exposições? Qual a diferença entre design de exposições e expografia?

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A expografia trata do conjunto de técnicas desenvolvidas para projetar e executar uma exposição. Entre essas técnicas estão todos os atributos do design, ou seja, do desenho da exposição.

Pode-se frequentemente confundir o design gráfico com o design de exposições,mas qual a diferença? Em uma exposição, o design gráfico trata da concepção e criação dos layouts dos painéis, legendas, definições de cores e contrastes dos elementos de comunicação escrita e através de imagens (fotos). Mas o design gráfico não trata do desenho da planta da exposição, da definição dos percursos e da narrativa expositiva, por exemplo. Esses são atributos do design de exposições.

O design de exposições inclui também o desenho de todos os elementos necessários para colocar em prática a exposição: percursos, suportes, cenografia, iluminação, recursos audiovisuais e demais formas de comunicação com o visitante, além do design gráfico.

Desvallés, quando criou o termo expografia, não falou sobre o design de exposições mas, por suas definições gerais e abrangência, podemos considerá-lo como termo análogo à expografia.

Museus virtuais

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Confesso que tenho certo preconceito com museus virtuais. Ou é site, ou é museu, certo? Talvez não.

Hoje me deparei com uma “mostra virtual” sobre os 12 profetas e Aleijadinho. Um site simples e bastante objetivo. Confesso que aprendi muito mais em 20 minutos de navegação por este site do que na visita ao museu ao lado do santuário (vide crítica sobre esta visita no post https://wordpress.com/post/criticaexpografica.wordpress.com/565).

E mudei um pouco meu ponto de vista. O museu virtual não substitui o museu físico. Não é possível reproduzir a emoção de se deparar com um objeto real, com texturas, na sua posição real, a composição do conjunto. Portanto, não substitui o apelo do objeto. Mas pode sim complementá-lo de maneira bastante interessante.

Para ver mais: http://200.144.182.66/aleijadinho/

5 qualidades que o site do seu museu tem que ter para atrair mais visitantes!

A imagem do seu museu é a imagem da sua marca: sim, marketing! Não tem como fugir dele, se você quer atrair visitantes. Muitas vezes o site é o primeiro contato que o futuro visitante tem com a sua instituição, então ele tem que atrair o seu visitante, refletindo a imagem do seu museu de forma positiva.

Abaixo itens a serem observados que ajudam a tirar o visitante da cadeira e levá-lo a conhecer a exposição.

1. Qualidade das imagens. 1 imagem vale mais que mil palavras. Ela atrai – ou repele – o visitante. Ela aumenta ou diminui a sua expectativa sobre a exposição. Veja o exemplo abaixo, como busca usar imagens de impacto.

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2. Textos de chamada. Ainda no exemplo acima, veja como is textos curtos e chamativos, em geral com exclamações, chamam mais atenção.

3. Quantidade de imagens: menos é mais. Não adianta encher o seu site de imagens. O visitante vai se interessar por algumas imagens, de preferência grandes, do seu negócio. Você não precisa ilustrar tudo o que diz. Em geral o visitante já sabe o que procura quando entra no site. Você pode chamar a atenção para uma exposição mais recente, mais interessante. Mas não para tudo que tem no museu. Veja o exemplo abaixo: que importância tem de fato todas as imagens em cima, que se repetem novamente ao lado? O site fica confuso e com muitas informações. E informação demais, não comunica quase nada. Ou nada. O visitante fica confuso e desiste.

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4. Qualidade e quantidade dos textos escritos. Parece obvio, mas veja o texto do Museu Histórico Nacional. Abaixo grifo as menções piores e comentários a respeito.

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“O circuito de longa de exposições de longa (HEIN?) duração inicia-se no térreo, no hall das escadas rolante (CONCORDÂNCIA?), com painéis contando a história do conjunto arquitetônico. Destaque para a monumental escultura equestre de D. Pedro II, de Francisco Manoel Chaves Pinheiro.
No hall do segundo pavimento, tem-se acesso à galeria com teto decorado por Carlos Oswald onde é projetado o multivisão (QUEM? O QUE?) sobre a trajetória do Museu Histórico Nacional.
Após a exibição, exposições abrangem da pré-história brasileira ao período republicano: acervo tradicional, peças contemporâneas e recursos multimídia auxiliam o visitante na compreensão de nossa história.
O pavimento térreo concentra serviços (auditório, loja, café ) e exposições temporárias.
A única exposição de longa duração a permanecer no pavimento térreo é a referente aos meios de transporte, “Do Móvel ao Automóvel – Transitando pela História”, devido às dimensões do acervo (PRECISA DESTA INFORMAÇÃO?). Ainda no térreo, no Hall dos Arcazes, estão expostas pinturas cusquenhas. […]”

Enfim, é importante uma revisão do texto, uma clareza nas informações e, principalmente, observar a relevância das informações escritas. E, quanto menos prolixo, mais chance do seu leitor se tornar um visitante.

5. Arquitetura do site: o visitante deve conseguir alcançar o objetivo que o levou a página rapidamente. Ainda no exemplo do museu histórico nacional, veja a quantidade de itens que ele deve ler, até encontrar o link que deseja. Veja ainda o pouco espaçamento neste índice lateral, o que torna o texto confuso.

Quanto menos itens, mais fácil do seu visitante encontrar as informações que busca na página. Você pode trabalhar com subitens, colocando exposições de longa duração e temporárias embaixo de apenas um link, “exposições”. E a coerência também costuma ajudar: Veja que o índice ao lado chama de “exposições permanentes” (termo já em desuso) e a página se chama “exposições de longa duração”.

Enfim, a imagem de um museu deve ser cuidada da mesma maneira e com os mesmos conceitos de branding que usamos em marcas, considerando como pilar da comunicação a coerência e continuidade. Ou seja, todos os elementos do museu devem ser comunicados de acordo com os valores da instituição e com uma imagem coesa.


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Museu de Congonhas: um museu de grandes novidades

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Antes de visitar o novo museu de Congonhas, que custou a partir de R$ 25 milhões (informações divergentes são encontradas na internet) fui rever o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, percorrendo as obras do Aleijadinho em suas capelas e terminando na Igreja (atualmente fechada) observando os profetas que estão no pátio externo.

Depois disso, me senti “preparada” para ir ver um museu sem acervo, já que, teoricamente, ele falaria sobre o santuário e a obras de Aleijadinho, pelo que eu tinha entendido nas obras que li.

A entrada deste belo edifício passa pela lojinha e restaurante e segue reto em um corredor. Chegando em uma recepção, apresento a minha carteirinha do ICOM, que deveria dar isenção à entrada e a funcionária desconhece completamente do que se trata e me dá um “desconto” de 50% na entrada, acreditando ser uma carteirinha de estudante, de uma instituição desconhecida. Tentei explicar, mas desisti. Já sofri com o mesmo desconhecimento no Museu do Futebol em 2011 e vi que é absolutamente inútil tentar explicar.

Na entrada, um corredor começa a introduzir historicamente a construção do templo e tenta justificar a importância da cidade de Congonhas e do museu. Me animo. Mesmo. A moça do educativo, super disposta, dá explicações a respeito das romarias nesta cidade, em função da Igreja e da obra do Aleijadinho. Me animo mais. “Além de bonito, o museu promete quebrar paradigmas dos museus atuais”, penso.

Seguindo para o final do corredor, encontro então o início do espetáculo. Imagens realmente muito bonitas da igreja e dos profetas são projetadas em uma tela gigantesca. Não tem como não ser atraído por ela.

Fui em direção a esta, ignorando a linha do tempo existente no caminho. A música reforça o sentido de que se está entrando em um templo. Em frente a tela tem um dispositivo dito “interativo” (clique no link para entender porque não é real essa interatividade) em que você clica em um botão, ele acende o local (por exemplo, a igreja) em uma maquete e imagens deste local aparecem. Lindo espetáculo de sons e imagens que ajudam a imergir no universo de Aleijadinho. Imagino então que, a partir daí as obras de Aleijadinho que vi lá fora serão valorizadas, contextualizadas e o conhecimento aprofundado.

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De repente, no meio da contemplação, lembro da conversa com minha mãe que falava sobre a igreja dos “doze apóstolos”, num erro bastante comum que já ouvi de outras pessoas e me questiono: porque as pessoas confundem profetas e apóstolos? Porque não foram colocadas esculturas dos apóstolos e sim dos profetas? Questiono uma outra moça do educativo que esta próxima, sobre o que são exatamente os profetas e porque eles foram escolhidos para estar lá. Ela se confunde, não sabe responder nem o que eles são. Vai para uma outra, que se enrola um pouco na resposta sobre o que são e não concluo nada. Nem elas.

Na parede de abertura da exposição há um trecho que diz que “O propósito primordial do Museu é qualificar a visita ao Santuário do Bom Jesus de Matosinhos e oferecer ao público (…) as inúmeras possibilidades de informação e de interpretação desse conjunto patrimonial”.

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Neste momento me pergunto: Para quem é este museu? O seu conteúdo não versa justamente sobre a igreja em que as obras mais populares são os lindos e gigantescos profetas, dos quais se produziu fotos maravilhosas? Como o educativo titubeia ao responder o básico? Este museu não é para todos os públicos, inclusive os ateus, judeus, evangélicos e budistas?

Olhando com mais atenção para a grande parede com muitas informações, textos de diferentes tamanhos, imagens dos profetas em loop nas televisões, vejo dados superficiais sobre o que seria cada um dos profetas e, no meio desta confusa parede cujos vídeos chamam mais atenção que tudo, há uma explicação breve e superficial que responde pelo menos o que são os profetas, no meio, no alto. Quase chamei a moça do educativo para ler.

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fonte: http://images.adsttc.com/

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O percurso prossegue com um emaranhado de problemas básicos de design gráfico e design de exposições: fontes tipográficas de tamanhos variados nos painéis, incluindo tamanhos de fontes que funcionam muito bem no papel mas que para uma exposição, são quase ilegíveis, ainda mais sobre fundos coloridos. Uma exposição não é um livro, como já disse em artigos anteriores e apresenta características próprias de design para ter uma boa legibilidade.

A linha do tempo é um bom exemplo, pois mostra todos os problemas de legibilidade possíveis. Fiz um pequeno círculo rosa em alguns exemplos

  • textos muito pequenos;
  • textos muito altos que dificultam a leitura por seu tamanho e localização;
  • textos com baixo contraste em relação ao fundo o que tornam a leitura sofrida;
  • textos com grafismos no fundo, o que dificulta ainda mais a leitura.

Por mais interessantes que possam ser os textos, quando há dificuldade de leitura, eles se tornam rapidamente desinteressantes.

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Sigo…um dispositivo muito bonito colocado no centro da exposição apresenta artefatos para a produção das esculturas do Barroco (acho). Não saberia dizer com precisão, pois a iluminação superior impossibilita a leitura devido a reflexão dessas luzes no vidro exatamente em cima dos textos, que já são pequenos e em uma altura que você tem que abaixar para ler. A iluminação que foca nas ferramentas penduradas, prejudica a leitura dos textos embaixo.

Mas, sem dúvida, temos uma bonita instalação cenográfica. Os textos (ou os vidros sobre eles) é que não deveriam estar lá.

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Foto: Ana Elisa/Portal EBC

Confesso que a essas alturas já havia perdido um pouco do interesse. Toda a animação do início da exposição já tinha ido embora. Se há alguma explicação mais profunda sobre a obra de Aleijadinho, sobre as esculturas dos profetas e a sua razão de ser, não consegui identificar. Tudo me pareceu bastante superficial e até, porque não, desviando do tema central (as esculturas do lado externo da Igreja) que são fruto de grandes discussões.

Não há nada mais material que as esculturas de Aleijadinho. Fico me perguntando: como fazer um museu de acervo imaterial (só com imagens das obras) de algo tão concreto? É inegável que o apelo de uma escultura real, em 3 dimensões chama a atenção mais do que mil imagens das mesmas, colocadas nas paredes.

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O museu segue com uma sequencia de fotos até que chega, enfim a um “acervo material”. Não de Aleijadinho, mas de esculturas de santos, ex-votos.

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Introduzida a coleção sem nenhuma conexão do que foi dito na sala anterior, fico confusa. Sem o ferramental necessário para articular ou relacionar aquela coleção com o que tinha visto até então, encaro aquela sala como mera “curiosidade”. Fotografo “São João Evangelista” e mando para uma amiga designer, pedindo que reze para ele, pois os tempos estão difíceis.

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As informações dadas de cada obra não me dão mais ferramental nenhum, além de uma sala cheia de esculturas. Ainda tento entender porque isso está ali, bem como a indignação de algumas pessoas na sala, que claramente conheciam a coleção,  revoltadas por este acervo ter sido levado para este museu e não deixadas no seu local original. Não entendi. Ma são tudo bem, n vou entender a conexão com a próxima sala, que volta ao tema anterior.

Sigo em frente por um percurso meio labiríntico. O acesso ao pavimento seguinte de exposições não deveria ser obvio? Não é. Chego enfim a um corredor, lá no final, um “um happy end” em um corredor não muito largo onde deveriam estar os profetas. Não estão. Apenas 2 réplicas. Mais nada. R$ 500mil é o custo de cada réplica. Vai demorar. O museu construído com o propósito inicial de abrigar as esculturas e protegê-las da ação do tempo, abriga réplicas.

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E quase como se o pensamento coletivo levasse a isso, chega-se a um “beco sem saída”, após as réplicas do corredor, que é o final da exposição. Sim, do museu construído e projetado para isso, que não é a adaptação de um prédio existente, termina em um beco sem saída. Termina numa porta de emergência fechada e você é obrigado a voltar pelo meio da exposição.

Mas ainda no final, neste “beco”, ao lado da saída de emergência  – peço a você, leitor, que interprete semioticamente essa conexão – ainda tem o vídeo de uma pessoa do IPHAN, que trabalha no restauro e conservação das obras e justifica o porque as obras originais não estão no museu e sim expostas ao tempo. Interessante imaginar que o museu foi construído para abrigar as esculturas e escolhe a última sala para justificar essa ausência.

Mas essa questionamento e ambiguidade foi um dos poucos momentos que trouxeram a reflexão dentro do espaço expositivo.

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