3 exemplos de porque os museus devem repensar a política de selfies

Mesmo antes do fechamento e reabertura dos museus, havia um grande dilema em relação a fotos e selfies tiradas em frente as obras: preservar a integridade das obra em detrimento do crescimento do público ou permitir a divulgação dos museus nas redes sociais através de fotos e selfies e correr o risco da sua destruição?

Antes das redes sociais propiciarem a divulgação dos museus e gerar a atração do público, a preservação das obras era a prioridade. Se quiser uma recordação, compre na lojinha.

Muitos museus proibiam fotos por inúmeras razões sem medo, desde a preservação da obra até a forma como atrapalhavam o fluxo das exposições, como era o caso do Museu do Futebol no Brasil, em 2009, quando entrevistei Daniela Alfonsi, hoje diretora técnica do museu.

Depois da popularização das selfies em redes sociais, os museus se encontram em uma situação delicada: claramente há prejuízos em permiti-las – seja na destruição do patrimônio ou em outros âmbitos – mas o lucro também é importante, afinal o museu precisa sobreviver. O que fazer então?

Foram inúmeros casos até hoje de visitantes destruindo parcialmente obras ou até derrubando parte de uma exposição para fazer uma selfie.

No dia 31 de julho desse ano ocorreu novamente um incidente, dessa vez na Itália, em que um visitante senta em uma escultura para tirar uma foto e quebra os dedos dos pés da estátua de Paolina Bonaparte, feita há mais de 200 anos pelo escultor Antonio Canova, como mostra o vídeo abaixo:

Escultura de Paolina Bonaparte, de Antonio Canova (1757-1822), que teve 3 dedos dos pés quebrados por um turista que se sentou para fazer uma foto.

Neste outro episódio em 2017, uma visitante destrói uma instalação em Nova Iorque, “14h Factory”, gerando um efeito dominó impressionante.

Em 2016, um brasileiro derrubou uma escultura em madeira de “São Miguel” do século XVIII.

Escultura derrubada por um turista brasileiro em Lisboa.

Esses são os exemplos mais conhecidos e mais graves. Mas a política de permitir as selfies e fotos para divulgar os museus causa prejuízos em quase todos eles.

Fica então a questão: Será que existe um “caminho do meio” entre a permissão de selfies e a preservação do patrimônio ou vamos ter que optar por um deles?

_________

Curta nossas redes sociais:

Insta: @criticaexpografica | Face: facebook.com/criticaexpografica

_________

Crítica Expográfica é escrito por Renata Figueiredo Lanz, que, além de produtora de conteúdo neste blog também é diretora de criação da Renata Figueiredo | design gráfico + expografia . Para entrar em contato envie um e-mail para renata@refigueiredo.com.br

_________

Gostou do post ou tem uma outra opinião? Deixe seu comentário abaixo.

5 razões porque você deve ser contra a destruição das estátuas de carrascos racistas

O terrível assassinato de George Floyd deu início a uma onda de protestos que culminou na destruição na Europa e Estados Unidos de algumas estátuas de personagens ligados ao tráfico de escravos negros. Porém esse aniquilamento de um símbolo, pode ser muito mais problemático a longo prazo do que preservar-lo. As implicações são inúmeras, mas são citadas aqui apenas 5 para que você reflita antes de apoiar e repetir no Brasil esse aniquilamento da memória.

  1. Derrubar uma a estátua não afasta o problema

O fato de destruir um o patrimônio funciona muito bem na mídia como um símbolo de uma revolta. Os protestos são válidos e devem acontecer. Mas destruir o patrimônio está longe de eliminar o problema racial e o seu efeito a médio e longo prazo é muito pior do que preservá-los por inúmeras razões, dentro das quais discutiremos somente cinco aqui neste artigo.

É natural que todos nós queiramos destruir aquilo que nos incomoda. Mas a verdade é que precisamos ser incomodados. Somente esse incômodo nos leva a transformação. É a presença do problema que nos traz a transformação e não a ausência dele no fundo de um rio.

O patrimônio nos serve portanto para a reflexão e com o objetivo de gerar esse incômodo para trazer à tona as questões que desejamos esquecer mas precisam estar presentes nas nossas vidas. É apenas trazendo o problema à luz que vamos mudar a sociedade e a sua forma de agir e não derrubando um símbolo de opressão.

2. Os apagamentos históricos e seus efeitos

Fonte: Cottonbro/Pexels

Retirando um símbolo de uma praça pública ou de um museu, se deseja apagar aquele episódio ou aquela pessoa da história.

Porém, esse ato além de não apagar o problema, “joga a sujeira para debaixo do tapete”, como se ele não tivesse existido e, pior, se a sociedade não tem consciência de que certa atrocidade existiu, a possibilidade de que os erros se repitam é enorme. Imagine como seria se deletassem Hitler da história?

O registro histórico torna a barbárie presente a qualquer tempo e a preservação da memória nos faz não querer repeti-lo.

Ao invés de destruir o monumento feito originalmente para homenagear um carrasco racista, seria muito mais interessante construir mecanismos de mediação que exponham o problema e mostrem que historicamente ele não é um líder e nem um exemplo a ser seguido. 

3. Efemeridade x materialidade

Alguns grupos defendem que a destruição trouxe a tona as questões pois as fotos foram amplamente divulgadas nas redes sociais e isso se tornou viral. Porém, qual o efeito do seu post no instagram nos próximos 50 anos?

Uma peça de museu é um objeto de estudo e reflexão contínuos, que são  revistos, ressignificados e estudados à luz de novas descobertas ou concepções sociais.

Acreditar que a repercussão nas redes pela força das imagens tem efeitos a médio e longo prazo na história chega a ser ingênuo. Não podemos estudar a memória e a história apoiados em bolhas de sabão.  

4. Revendo a história: o negro como vítima x negro atuante

Fonte: Clay Banks/Unsplash

Na história do Brasil e do mundo o negro é visto como vítima, sem protagonismo ou capacidade de ser agente social.

Desde o ensino básico fomos levados a imaginar que o negro seria mais fácil de ser escravizado que o índio e uma série de lugares-comuns  de uma história superficial que era ensinada nas escolas.

Se você ainda não concorda, então responda: qual costuma ser o grande símbolo da escravidão na maioria dos museus brasileiros? A algema, a corrente e a chibata.

Artigos, teses e mestrados mostram que o escravo negro foi muito mais do que isso e que considerá-lo como ser passivo sem protagonismo histórico é um grande erro.

Especialmente nas cidades, existiam categorias de escravos que eram importantes agentes sociais, participantes, atuantes e relevantes para a sociedade. Essa nova visão que, apesar de não deixar de lado as questões cruéis da escravidão, exalta a figura do negro forte, resistente e atuante em uma sociedade colonial, o coloca o negro na posição de protagonista e não somente de vitima, traz força e auto-estima para os afro-descendentes. Nesse sentido, derrubar estátuas de agressores, continua a enfraquecer a presença do negro no cenário nacional e mundial.  

Por todas essas questões, é muito mais proveitoso para a sociedade a longo prazo re-significar um símbolo ao invés de destruí-lo.

5. Exija dos museus o protagonismo na história, não a destruição de monumentos

Museus são espaços de reflexão, discussão e inquietação. Museus milionários tem sido construídos no Brasil e se transformado em espaços de apagamento.

Dois museus em especial, que são frutos de críticas aqui no blog, o Museu do Futebol e o Museu de Congonhas, tem a questão racial como grande incômodo a ser evitado.

O primeiro exalta o brasileiro como um miscigenado criativo. Esse lugar comum da criatividade advinda da mistura de raças ignora todas as questões advindas do futebol. Em depoimento recente um grande técnico ainda reforça que xingamentos no futebol para os negros não tem importância. Onde está esse espaço de questionamento dentro da exposição de longa duração do museu? Veja a crítica completa aqui no blog.

Já o Museu de Congonhas, que foi criado em um dos grandes centros da escravidão do Brasil para homenagear o Barroco Brasileiro e por consequência Aleijadinho, se esquece da questão racial. Este artista, grande protagonista do Barroco era um filho de português com a sua escrava. Foi alforriado pelo pai. A história dele, que começa assim, foi minimizada em virtude do grande gênio que se tornou. E quais outros tantos apagamentos temos por trás dessa história?

Enquanto os museus brasileiros forem encarados como espaços de entretenimento e lazer, feitos para serem fotografados e viralizados nas redes sociais sofreremos com esses apagamentos que se perpetuam na educação não formal e durante gerações acreditamos na história que nos é contada.

Ao invés de destruir esculturas, exija a presença desses conflitos nos espaços de reflexão.

Portanto está na hora de entendermos a gravidade das consequências do dinheiro público ser utilizado para a construção de parques temáticos e não de museus, na acepção original do termo.

_________

Curta nossas redes sociais:

Insta: @criticaexpografica | Face: facebook.com/criticaexpografica

_________

Crítica Expográfica é escrito por Renata Figueiredo Lanz, que, além de produtora de conteúdo neste blog também é diretora de criação da Renata Figueiredo | design gráfico + expografia . Para entrar em contato envie um e-mail para renata@refigueiredo.com.br

_________

Gostou do post ou tem uma outra opinião? Deixe seu comentário abaixo.

#5 Qual é a necessidade da arte? Qual o papel dos museus pós pandemia?

Durante o período de pandemia a nossa maior companhia tem sido a arte e a cultura, mas qual é o lugar da arte e do museus na nossas vidas?

Na palestra para o #PinaLive, promovido pela Pinacoteca do estado de São Paulo Mario Sergio Cortella fala sobre o papel dos museus e da cultura na retomada pós pandemia.

O filósofo inicia a palestra citando o livro de Ernest Fischer, no seu livro “A necessidade da Arte”,  e então questiona: qual é a necessidade da arte?

Cortella nos explica a perspectiva de perenidade da nossa existência transmitida pela arte, em contraponto à utilidade dos objetos do cotidiano.

Mesmo que a experiência de estar frente a frente a obra de arte seja insubstituível, a arte ameniza a sensação de estar confinado em casa durante a pandemia.

Diz ainda que a capacidade de criar e de inventar é inerente ao ser humano. E a capacidade de contemplar as obras artísticas também nos pertence.

Mas a arte –manifestada através da arquitetura, escultura, pintura, música, poesia, dança e cinema – é dotada de um imenso valor para o ser humano: a arte é capaz de cessar a dor.

Ao fim da pandemia, poderemos nos deparar com a maior força da inventividade humana e nos emocionar.

No momento, o que temos é a possibilidade de apreciá-la virtualmente, de forma a cessar a dor do aprisionamento.

Veja abaixo o vídeo completo da palestra do Professor Cortella.

_________

Curta nossas redes sociais:

Insta: @criticaexpografica | Face: facebook.com/criticaexpografica

_________

Crítica Expográfica é escrito por Renata Figueiredo Lanz, que, além de produtora de conteúdo neste blog também é diretora de criação da Renata Figueiredo | design gráfico + expografia . Para entrar em contato envie um e-mail para renata@refigueiredo.com.br

_________

Gostou do post ou tem uma outra opinião? Deixe seu comentário abaixo.

#4 Museus e conteúdo gratuito: Leonardo da Vinci

Muitas instituições estão liberando conteúdos gratuitos durante a quarentena. Segue aqui uma seleção dos melhores.

Como já postado em um artigo aqui, o Renascimento foi o grande momento da história após a pandemia em que a peste negra assolou o século XIV.

Em homenagem a este período, aos 501 anos de Leonardo Da Vinci comemorados em 2 de maio, e na esperança de que venham também tempos tão brilhantes, foi feita uma seleção de material gratuito sobre o artista, emgenheiro, arquiteto, gênio, etc.

1. Hoje tem uma Live do MIS Experience sobre os últimos anos do artista, passados na França. Normalmente as Lives ficam disponíveis por 24 horas no Instagram. Entre em @misexperience

2. Livros gratuitos

• Vida de Leonardo da Vinci, de Giorgio Vasari

Três livros incríveis disponibilizados pelo MET (Metropolitan Museum) gratuitamente:

Leonardo da Vinci: Anatomical Drawings from the Royal Library, Windsor Castle

Leonardo da Vinci: Master Draftsman

Strange Musical Instruments in the Madrid Notebooks of Leonardo da Vinci”: Metropolitan Museum Journal, v. 2 (1969)

3. Artigo que esclarece a rixa entre Leonardo da Vinci e Michelangelo

_________

Curta nossas redes sociais:

Insta: @criticaexpografica | Face: facebook.com/criticaexpografica

_________

Crítica Expográfica é escrito por Renata Figueiredo Lanz, que, além de produtora de conteúdo neste blog também é diretora de criação da Renata Figueiredo | design gráfico + expografia . Para entrar em contato envie um e-mail para renata@refigueiredo.com.br

_________

Gostou do post ou tem uma outra opinião? Deixe seu comentário abaixo.

#3 Museus, exposições e arte: 8 cursos gratuitos

Fizemos uma seleção de 8 cursos sobre museus, exposições e arte oferecidos gratuitamente durante a quarentena.

EXPOGRAFIA

O Curso “Para fazer uma exposição” faz parte do programa Saber Museu do Ibram (Instituto Brasileiro de museus). Disponível apenas no formato podcast no momento. disponível em 4 módulos:

  1. O que é uma exposição
  2. Pensando a exposição
  3. Planejando a exposição
  4. Executando a exposição

MUSEUS

O Curso museus e patrimônio, da UFRGS, trata de uma ampla gama de assuntos que envolvem o museu.

• Módulo I: definições teóricas de museu, histórico e políticas.
• Módulo II: planejamento e gestão estratégica, sustentabilidade e inovação em museus e leis de financiamento da cultura.
• Módulo III: relações entre museus e economia, sobre a administração de museus como empresas e também sobre modelos de negócios e economia digital.
• Módulo IV: Marketing social, posicionamento estratégico, ferramentas de comunicação e estratégias de internacionalização para museus e patrimônio.
• Módulo V: utilização de tecnologias nos museus, a inovação tecnológica e formatos de acesso virtual.

ARTE

A Casa do Saber está com acesso liberado até 30/04/2020, inicialmente. Quatro cursos sobre arte bastante interessantes, vale fazer o cadastro e entrar nos links abaixo.

  1. Caravaggio
  2. Leonardo da Vinci
  3. Introdução a história da arte
  4. Arte contemporânea nos dias de hoje

O MoMa possui diversos cursos bastante interessantes e gratuitos, dos quais se destacam:

  1. What is Contemporary Art?
  2. Art & Activity: Interactive Strategies for Engaging with Art

MAIS CURSOS, PALESTRAS E LIVES.: toda semana publicamos nos stories do nosso Instagram @criticaexpografica os mais interessantes de cada semana.

_________

Curta nossas redes sociais:

Insta: @criticaexpografica | Face: facebook.com/criticaexpografica

_________

Crítica Expográfica é escrito por Renata Figueiredo Lanz, que, além de produtora de conteúdo neste blog também é diretora de criação da Renata Figueiredo | design gráfico + expografia . Para entrar em contato envie um e-mail para renata@refigueiredo.com.br

_________

Gostou do post ou tem uma outra opinião? Deixe seu comentário abaixo.

#2 Museus e exposições: 7 experiências virtuais

Que tal aproveitar a semana para conhecer as diferentes tipologias de experiências virtuais expográficas? Conheça 7 experiências bem diferentes de visitas virtuais a museus e exposições.

  1. INSTITUTO TOMIE OHTAKE – Visita guiada por Mariana Palma na exposição LUMINA

A própria artista apresenta a exposição e a proposta expográfica, caminhando pela exposição.

É possível entender a espacialidade do museu, compreender a proposta expográfica e interpretar as obras através do olhar da artista. É feito um recorte pela artista e o foco em obras  é claro. O visitante definitivamente não se perde na exposição, como acontece em outras experiências abaixo descritas.

Porém parece faltar um diálogo com o curador da exposição, o que enriqueceria a conceituação do espaço e das obras.

A artista Louise de Borgeois diria que “Uma obra de arte não precisa ser explicada. Se você não sente nada, não posso explicar. Se isso não te tocar, eu falhei”. Essa visão certamente é compartilhada por inúmeros artistas, curadores, entre outros. Mas em tempos de isolamento e experiências museológicas exclusivamente virtuais, será que este mesmo raciocicío se aplica?

2. CCBB do Rio – visita mediada pelo curador Hélio Márcio Dias Ferreira da Exposição Ivan Serpa

A seleção de obras apresentada pelo curador intercala a apresentação do artista, da sua forma de trabalho, da técnica e história. Percorrendo a exposição Hélio Ferreira mostra as obras segundo um recorte próprio, como não poderia deixar de ser.

Muito interessante poder ver esses raros momentos em que o curador pode falar com um grande público, confinado e tendo como único meio visitar exposições mediadas ou filmadas.

O curador nos contamina com sua paixão pela obra e pelo artista. Porém a apresentação é um pouco longa e o animado curador, um pouco prolixo, se considerarmos o tipo de mídia em que a exposição é apresentada.

Ivan Serpa no CCBB do Rio de Janeiro

3. BANSKY EM CASA

Bansky no seu banheiro: O contraditório e divertido Banksy resolveu criar (e expor) em seu banheiro, com seguinte título: My wife hates it when I work from home. (Minha mulher odeia quando eu trabalho em casa).

Com o tema já familiar dos ratos, e a impossibilidade de “expor” suas obras já que em geral cria obras a céu aberto, Bansky cria uma obra em sua própria casa e a expõe para o mundo no instagram e no seu site.

Interessante observar a “volta” do momento em os próprios artistas escolhem a maneira como vão expor, como acontecia no início do século passado:

“No passado, entretanto, a coisa não era bem assim, já que o próprio artista era muitas vezes curador, montador e vendedor de suas obras. Cabiam a ele os critérios para a montagem da exposição. Exposições não institucionais, como a histórica mostra de Courbet que ele próprio realizou no espaço a que chamou Pavillion du Réalisme, em 1855 ou ainda, no âmbito nacional, a controvertida Exposição de arte moderna organizada por Anita Malfatti, em 1917, e apresentada num salão na rua Líbero Badaró, em São Paulo, são exemplos dessa prática do artista.

Foram artistas também que, a partir dos anos de 1920, começaram a inovar a maneira de distribuir as obras no espaço, até então padronizada pelo Louvre, ou seja, com as obras ocupando toda a parede, separadas apenas pelas molduras. Assim, grandes nomes da arte moderna internacional como Kurt Schwitters, El Lissitzky e Marcel Duchamp contribuíram de maneira definitiva para uma nova maneira de apresentar a produção de arte moderna”. Vide texto completo na exposição que apresentamos na semana passada: https://artsandculture.google.com/exhibit/a-arte-de-expor-arte/sgICVbQQ8IsKJA

Duchamp também pode ser referenciado aqui não só pela exposição feita pelo artista, mas pela sua obra de arte no banheiro, com seu famoso mictório, a “Fonte”.

Poucas obras de arte impactaram e influenciaram tanto a maneira como se a vê a produção cultural quanto Fonte, do pintor, escultor e poeta francês Marchel Duchamp. Cem anos depois de sua criação, a obra mantém acesa a discussão em torno do seu valor e do que é ou não arte.”

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2017/03/14/interna_diversao_arte,580402/voce-sabia-que-um-mictorio-mudou-o-rumo-da-arte.shtml

4. MUSEU DO ORATÓRIO – Oratórios: a religiosidade no cotodiano

Link para o site

O interessante “passeio” pela exposição não pretende similar o ambiente do museu.

O Museu entende que o espaço virtual e o físico são muito diferentes para que se transmita o conteúdo da mesma maneira. Ele cria então uma exposição em que se é possível entender o recorte da curadoria. As “aberturas” de salas ficam bem claras pela marcação de textos de cores bastante diferentes.  É possível enxergar as obras em detalhes.

O contraste entre fonte e fundo dos “textos de aberturas de salas” é bastante gritante (roxo + amarelo) e dificulta a leitura. É possivel abrir a ficha museologica completa das obras e depois ver os seus detalhes, mas isso é feito em uma nova janela e se torna pouco prático.

5. PINACOTECA – EXPOSIÇÃO DE LONGA DURAÇÃO

link para o site

O passeio virtual pelo segundo andar da pinacoteca permite ver uma planta geral em 3D da pina antes de selecionar uma sala.

Nele pode-se ver as legendas em destaque e dar zoom nos textos de abertura das salas, lendo na íntegra, porém só se pode se ler as legendas determinadas pela exposição, que são poucas por sala. O ponto mais prejudicado são as obras de arte, que são em grande parte distorcidas como no google street view e também não permitem a aproximação, ficando muito pequenas.

6. MUSEU AFRO

https://artsandculture.google.com/partner/museu-afro-brasil

O passeio virtual pelo museu é semelhante ao google street view.

Nele é impossivel ler as legendas e uma parte dos textos de parede. A grande profusão de obras confunde um pouco e fica difícil focar em algo.

Como as obras são grandes e é permitida uma boa aproximação, há um nível de detalhes possível de visualizar melhor do que os da Pinacoteca, mas o zzom grande desfoca as imagens. O subsolo pareceu ser amelhor experiência.

Muito mais interessante que a visita virtual, outras experiências no próprio museu se destacam, como a entrevista com o curador, em que ele explica de forma sucinta a exposição. Porém essa visita mediada ao espaço parece fazer mais sentido no universo digital. 

Museu Afro Brasil

7. INSTITUTO TOMIE OHTAKE – “Tomie Ohtake – Poesia se Medita”

Na forma de um filme em que um visitante vai percorrendo a exposição e mostrando quadro a quadro, o que vê. Sem nenhum som.

Nele é possivel parar o vídeo e apreciar um pouco mas a luz e os ângulos de leitura as vezes são bastante ruins. A noção especial se perde.

Considerações sobre as experiências: uma visita virtual que prentende entrar no museu e simular uma visita real, acaba se tornando confusa e com muitos itens para se ver. Infelizmente o espaço virtual não pode ser substituído e outras maneiras de mostrar os objetos para o “visitante” de maneira que ele possa apreender o conteúdo talvez seja mais eficaz.

O excesso de objetos e informações no espaço físico já dificulta o foco e a compreensão dos conteúdos propostos pela curadoria. No espaço virtual isso se amplifica e a exposição acaba perdendo o interesse pela falta de foco.

São aqui mostradas aqui então diversas experiências de visitas virtuais a exposições. Qual delas você mais aprecia? Porque?

_________

Curta nossas redes sociais:

Insta: @criticaexpografica | Face: facebook.com/criticaexpografica

_________

Crítica Expográfica é escrito por Renata Figueiredo Lanz, que, além de produtora de conteúdo neste blog também é diretora de criação da Renata Figueiredo | design gráfico + expografia . Para entrar em contato envie um e-mail para renata@refigueiredo.com.br

_________

Gostou do post ou tem uma outra opinião? Deixe seu comentário abaixo.

#1 Museus e quarentena: o melhor da semana

Depois de quase 1 mês em casa, você que é apaixonado por museus, estuda, trabalha ou visita com frequência, já está sentindo falta de visitas, conteúdos, palestras, etc. Então, enquanto durar a quarentena, farei uma curadoria de conteúdo disponibilizando o melhor para casa semana.

13/03 – SEGUNDA-FEIRA às 18:00
MASP LIVE NO INSTAGRAM

O diretor artístico Adriano Pedrosa e a curadora adjunta de histórias Lilia Schwaecz conversam sobre os conceitos de histórias que deram origem à 3 exposições em 2016 e uma em 2018: Histórias da Infância, da sexualidade e histórias afro-atlânticas além de História das mulheres e histórias feministas. Acessar o perfil @masp no Instagram.


14/03 – TERÇA-FEIRA
Baixar GOOGLE ARTS & CULTURE E VER A EXPOSIÇÃO “A ARTE DE EXPOR ARTE”

A exposição “A arte de expor arte”, sob curadoria de Regiane Cintrão, apresenta um texto muito interessante que envolve a história das exposições, expografia e museografia no Brasil e no mundo. Bastante conciso, o texto dá um panorama das mudanças ocorridas no âmbito da expografia, desde o tempo em que a arte de expor ficava a critério do próprio artista até o momento em que os arquitetos e designers começam a transformar este panorama. Pode ser acessado no computador também, através do link: https://artsandculture.google.com/exhibit/a-arte-de-expor-arte/sgICVbQQ8IsKJA

16/04 – QUINTA-FEIRA- 10:30 às 12:00
Curso online: filosofia e arte contemporânea: Louise Bourgeois.

Aula dada pela incrível Magnólia Costa, online, através do MAM. Valor da aula: R$ 105,00. Conheci Magnólia em um curso sobre arquitetura de museus e posso afirmar que ela é uma excelente professora. Não conheço as aulas sobre filosofia, mas acredito que sejam tão boas quanto, pois ela é dotada de conhecimentos profundos sobre o que fala, além de um humor bastante peculiar. https://mamcursos.byinti.com/#/ticket/eventInformation/G7snSQU7HhmqjK47f8Wc

17/04 – 19-04 – SEXTA-FEIRA E FINAL DE SEMANA
Curso GRATUITO sobre Velazquez no Museu do Prado.

Conta a história da criação do edifício e a suas polêmicas até a transformação em museu público. Considera Velazquez como o pintor dos pintores neste museu que se considerada mais de artistas do que de história da arte.

Sobre a usabilidade: escolher a versão gratuita do curso (o valor é somente para quem deseja um certificado). Para quem não entende tão bem espanhol, recomendo fortemente assistir em versão mais lenta. (clicar em detalhes no canto direito do vídeo e escolher a velocidade de reprodução 0.75).

https://miriadax.net/web/velazquez-en-el-museo-del-prado-3-edicion-/inicio

CURSO VELAZQUEZ

_________

Curta nossas redes sociais:

Insta: @criticaexpografica | Face: facebook.com/criticaexpografica

_________

Crítica Expográfica é escrito por Renata Figueiredo Lanz, que, além de produtora de conteúdo neste blog também é diretora de criação da Renata Figueiredo | design gráfico + expografia . Para entrar em contato envie um e-mail para renata@refigueiredo.com.br

_________

Gostou do post ou tem uma outra opinião? Deixe seu comentário abaixo.

O que acontece depois de uma pandemia?

No meio de uma crise, raramente achamos que aquilo pelo qual passamos poderá ser positivo. Dificilmente acreditamos que algo bom possa vir e somos inundados pelo pessimismo e medo.

Imagine-se então no ano de 1350, no auge da Peste Negra (ou Peste Bubônica), que matou entre 75 e 200 MILHÕES de pessoas (cerca de 1/3 da população mundial da época). Some-se a isso que era um período de pouca informação e boa parte da população acreditava que aquilo era uma praga dos céus e se perguntavam se seriam atingidos pela maldição mortal ou não – – ok, muita gente também acredita nisso hoje. A Peste negra foi uma das maiores pandemias da história humana.

Mapa de avanço da Peste Bubônica na Europa. fonte: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=1811698

Fato é que, no decurso dos anos, mesmo com recursos infinitamente menores do que temos hoje, a peste foi diminuindo em importância para a população européia quando surgiram medidas de saneamento e limpeza nas cidades, de maneira a evitar a proliferação dos ratos e pulgas e também a adoção de quarentenas, obrigando a população sadia a ficar dentro de casa.A cremação dos mortos também foi adotada de maneira que o os sobreviventes não entrassem em contato com o vírus. Porém, apesar de reduzir significativamente, até hoje essa peste não foi totalmente erradicada.

Curiosamente, o primero surto da Peste Negra ocorreu na China provavelmente em 1330. Veio para a Europa através de comerciantes genoveses (a unificação italiana só vai acontecer séculos depois) e a partir da região que hoje chamamos de Itália se espalhou pela Europa.

Esse momento acaba sendo um grande marco do final da Idade Média, ou Idade das Trevas (denominação dada pelos Humanistas). Mas então, o que veio depois dessa pandemia devastadora?

Um dos períodos mais maravilhosos da história da humanidade: O Renascimento.

Iniciado na Italia, o Renascimento não foi apenas um movimento artístico que aconteceu somente na arte, arquitetura, música, literatura, etc. Ele também foi um movimento econômico e político muito rico.

Graças a essa grande ruptura, o mundo europeu passa a se expandir e busca novas rotas comerciais, consagram novas formas de ver o mundo, passam a valorizar o homem, libertam os seus servos, vão para as cidades criando uma burguesia que consolida um novo sistema social, político e econômico.

Surgem teorias cientificas nas quais acreditamos até hoje (como a teoria Heliocêntrica) e grandes astrônomos, filósofos, matemáticos, físicos, entre outros cientistas que admiramos até hoje, são frutos desse Renascimento. Veja se reconhece alguns desses nomes: Copérnico, Galileu, Descartes e Isaac Newton.

Na literatura tivemos Dane Alighieri, Maquiavel, Shakespeare, Cervantes e Camões. Na arquitetura Brunelleschi, Bramante, Paladio, entre outros.

Santa Maria Del Fiore | Duomo de Firenze. Imagem: Wikimedia commons

Mas o que mais conhecemos, sem dúvida é a magnitude do Renascimento nas artes. Difícil imaginar o que seria da História da Arte sem Michelangelo, Donatello, Rafael, Veronese e Tintoretto.

Toque de Deus. Michelangelo / Public domain

Mais difícil ainda imaginar um mundo sem Leonardo da Vinci. Artista, cientista, engenheiro, inventor, fez estudos de anatomia e talvez a maior contribuição individual para tantas áreas diferentes na história.

Homem vitriviano | Leonardo Da vinci. Imagem: Leonardo da Vinci / Public domain

Assim, uma grande crise, com tantas mortes e um momento que o medo e a doença assolaram a Europa, foram capazes de gestar o que particularmente considero o movimento mais admirável da história humana: o Renascimento.

_________

Curta nossas redes sociais:

Insta: @criticaexpografica | Face: facebook.com/criticaexpografica

_________

Crítica Expográfica é escrito por Renata Figueiredo Lanz, que, além de produtora de conteúdo neste blog também é diretora de criação da Renata Figueiredo | design gráfico + expografia . Para entrar em contato envie um e-mail para renata@refigueiredo.com.br

_________

Gostou do post ou tem uma outra opinião? Deixe seu comentário abaixo.

A luz nas exposições e museus: ofuscamento

Você já foi a uma exposição e não conseguia enxergar a legenda simplesmente porque refletia a luz? Ou ainda você já não conseguiu ler ou ver o que estava na vitrine por conta do reflexo da luz, das sombras ou do seu próprio reflexo?

Museu de anatomia Veterinária da USP. Vitrine com reflexos das janelas atrás.

Isso ocorre por erros no Controle de Ofuscamento. Ofuscamento é alguma que faz com que o que você deseja ver fique menos visível, fique confuso ou a visão pareça turvada. Ele acontece com a reflexão da luz nos objetos da exposição.

É muito importante controlar o ofuscamento nas exposições para que os visitantes não percam o interesse no que está sendo visto. Afinal, se há alguma dificuldade em enxergar o que quer ser dito, o esforço vai cansando o visitante e ele se desinteressa pelo tema. Então o conforto visual para a leitura e visualização das peças deve ser prioridade em projetos de iluminação de museus e exposições.

Para evitar o ofuscamento podem ser utilizadas inúmeras técnicas utilizando a luz natural e artificial.

Na iluminação natural:

  • Iluminação zenital: dar preferência a esse tipo de iluminação. Ela permite que a luz natural venha por grandes aberturas feitas no teto dos ambientes.  Em geral indicada para salas ou corredores de exposição mais amplos. Em ambientes, pode ser utilizada para aumentar a dramaticidade de alguma exposição, de forma intencional.
  • Usar também tipos de vidros/acrílicos ou materiais translúcidos (e não transparentes) nessas aberturas. Isso possibilita que a luz entre de maneira difusa e não penetrem os raios de sol diretamente no ambiente.
  • Evitar o uso de janelas e iluminação natural lateral. No caso da construção de um museu, é possível projetá-lo sem janelas nos espaços expositivos. Quando o espaço já existe devem ser feitos controles de ofuscamento através de brises, películas ou outros aparatos específicos.

Na iluminação artificial:

  • Uso de luminárias adequadas. Existem luminárias específicas para controle de ofuscamento no mercado e a escolha deve ser adequada as necessidades de cada projeto.
  • Controle de Ofuscamento. Este é o fator fundamental para o controle do ofuscamento em exposições e o mais difícil de executar. Quanto mais superfícies especulares, maior a reflexão. Mas a reflexão também pode ocorrer em obras de arte, legendas posicionadas no foco de luz, etc.  Por isso é necessário a contratação de um arquiteto de iluminação.

“Não existe uma solução garantida para este problema; assim, os projetistas precisam estar cientes de todas as fontes potenciais de ofuscamento e reflexão. Os problemas acarretados pelo ofuscamento são complexos e não podem ser evitados quando se projeta apenas com plantas baixas; o problema do ofuscamento exige que o projetista pense constantemente em 3 dimensões e visualize a cena que o usuário experimentará”. (INNES, 2014, p.99)

Veja o exemplo de como foi solucionado o problema das reflexões de luz em obras e balcões de vidro no museu de vida e arte religiosa de Saint Mungo, em Glasgow, Reino Unido (INNES, 2014, p.101):

Problemas de reflexão no projeto do Museu de Vida e Arte Religiosa de Saint Mungo, Glaslow, Reino Unido. A luz reflete em todos os vidros e obras criando ofuscamento. Fonte: INNES, 2014, P. 101.

Solução: redução do contraste com lâmpada dimerizável, santa, e refletor desenvolvido especialmente para este projeto. Fonte: INNES, 2014, P. 101.

_____

Para saber mais sobre os tipos de iluminação – natural, artificial, difusa, focada, etc – conheça nosso outro artigo: Como acertar na iluminação da exposição?

_________

Curta nossas redes sociais:

Insta: @criticaexpografica | Face: facebook.com/criticaexpografica

_________

Crítica Expográfica é escrito por Renata Figueiredo Lanz, que, além de produtora de conteúdo neste blog também é diretora de criação da Renata Figueiredo | design gráfico + expografia . Para entrar em contato envie um e-mail para renata@refigueiredo.com.br

_________

Gostou do post ou tem uma outra opinião? Deixe seu comentário abaixo.

Da criação à percepção da exposição: o passo a passo do processo afetivo

Exposição no jardim da Casa das Rosas: de 1 a 20 de outubro de 2019. Foto: Renata Figueiredo-Lanz.

Todas as pessoas que criam e dão vida a uma exposição tem uma visão muito diferente sobre ela em relação ao público que as visita. Durante o mestrado, entrevistei cerca de 20 profissionais de diversas áreas e todos mostravam um brilho nos olhos ao falar de alguma exposição que fizeram e que causou grande emoção.

Porém, quando nas visitas a tais exposições, muitas vezes não era possível enxergar aquela magia e sempre ficou a questão: onde está essa lacuna entre a intenção, com um conteúdo muito bem produzido e a expressão deste conteúdo na expografia?

Em outubro, durante a concepção de um projeto, uma possível resposta surgiu.

A exposição sobre Câncer de Mama criada em outubro de 2020, foi resultado de uma pesquisa e produção fotográfica com 30 pessoas portadoras de câncer metastático que responderam à questão: “O que eu gostaria que você soubesse sobre o câncer de mama”?

Suas respostas quebram paradigmas, preconceitos e nos fazem refletir. Seja sobre a origem, questionando o fator genético, sobre o preconceito de ser contagioso, sobre a forma de detectar ou ainda o ainda gênero afetado, essas 29 mulheres e 1 homem nos mostram que há muito o que aprender.

Durante o projeto, o envolvimento e a emoção são inevitáveis. Ler e reler essas histórias é fruto de grande emoção.

Conheça um pouco sobre a produção do conteúdo, anterior a criação do projeto expográfico.

As fotos artísticas que deram origem a exposição são tão envolventes quanto as histórias. Quando se concebe um painel e a leitura e releitura de cada texto ocorre várias vezes ao dia, bem como o posicionamento de imagens ou ainda a composição dos painéis muda, não é um simples processo de design gráfico e de exposições: é a criação de um vínculo afetivo com aquelas pessoas e o reconhecimento dos seus valores e importância.

Quando a exposição é finalmente montada, depois de um árduo trabalho, chega-se a um outro nível de reflexão, desta vez sobre a expografia. Observando os visitantes percorrerem a exposição, é possível entender a razão pela qual os criadores da exposição o conteúdo tem uma visão tão peculiar, tão emocionante e, às vezes isso não se reflete para um visitante que passa apressado: envolvimento leva tempo.

Neste caso, durante a concepção, cada história foi lida e cada foto observada atentamente, de um panorama bem próximo e individual. Cada pessoa é vista de forma única e individual, diferente de um painel com 30 depoimentos e fotos.

Então nesse ponto, você pode se questionar: será que o excesso, a quantidade tiram a individualidades cada dor e tornam tudo um coletivo só, diminuindo o seu significado? Será que a grande quantidade de histórias expostas faz com que a percepção sobre cada indivíduo seja diminuída em sua individualidade? Sim e não.

Se você passa apressado, a única coisa que vê é a quantidade de informação. Mas, se parar para ler, consegue perceber que cada indivíduo tem sim a sua história e pode sim cativar, emocionar e desenvolver vínculos. A questão reside então no tempo que o visitante dedica a isso.

Ao contrário do que menciono no artigo: “A imagem como substituto do patrimônio material: a fotografia como desvalorização do objeto”, aqui cada indivíduo é identificado, tem a sua história contada e emociona, gerando curiosidade para a próxima foto e história.

A intenção de chocar ao colocar um homem na ponta do painel – e não no meio – atingiu o objetivo esperado: chocar os homens que acreditam que isso seja uma questão apenas feminina. Em algum tempo observando os visitantes pode-se perceber que sim, os homens se identificam e param para ler. Essa quebra sequencial chama a atenção para algo ainda pouco divulgado: homens também tem câncer de mama.

Homens também tem câncer de mama. Foto: Renata Figueiredo-Lanz.

Uma pequena – e quase imperceptível – diferença no design, que faz com que o indivíduo se destaque em um contexto de coletividade.

Mas, sobretudo aquele que parar para olhar a exposição e ler algumas dessas histórias vai atingir o objetivo principal: refletir. O visitante deve sair diferente do que entrou e esse é o objetivo – ou deveria ser – de toda a exposição: gerar reflexão, questionamento e transformação. Cada ser é único e deve ser fortalecido em sua individualidade.

Claro, faça a sua selfie, passeie pela exposição, afinal o local é lindo e a exposição foi feita com muito carinho. Além disso, hoje o marketing vem disso.

Porém, pare, leia e reflita sobre essa visão diferente do outubro rosa: não é mais um anúncio sobre prevenção, é sobre pessoas reais que estão com câncer mas, principalmente, sobre pessoas que estão vivas, tocam em frente e tem esperança. Mesmo com tantas dificuldades, ainda há um lado cor de rosa.

_________

Curta nossas redes sociais:

Insta: @criticaexpografica | Face: facebook.com/criticaexpografica

_________

Crítica Expográfica é escrito por Renata Figueiredo Lanz, que, além de produtora de conteúdo neste blog também é diretora de criação da Renata Figueiredo | design gráfico + expografia . Para entrar em contato envie um e-mail para renata@refigueiredo.com.br

_________

Gostou do post ou tem uma outra opinião? Deixe seu comentário abaixo.