#2 Museus e exposições: 7 experiências virtuais

Que tal aproveitar a semana para conhecer as diferentes tipologias de experiências virtuais expográficas? Conheça 7 experiências bem diferentes de visitas virtuais a museus e exposições.

  1. INSTITUTO TOMIE OHTAKE – Visita guiada por Mariana Palma na exposição LUMINA

A própria artista apresenta a exposição e a proposta expográfica, caminhando pela exposição.

É possível entender a espacialidade do museu, compreender a proposta expográfica e interpretar as obras através do olhar da artista. É feito um recorte pela artista e o foco em obras  é claro. O visitante definitivamente não se perde na exposição, como acontece em outras experiências abaixo descritas.

Porém parece faltar um diálogo com o curador da exposição, o que enriqueceria a conceituação do espaço e das obras.

A artista Louise de Borgeois diria que “Uma obra de arte não precisa ser explicada. Se você não sente nada, não posso explicar. Se isso não te tocar, eu falhei”. Essa visão certamente é compartilhada por inúmeros artistas, curadores, entre outros. Mas em tempos de isolamento e experiências museológicas exclusivamente virtuais, será que este mesmo raciocicío se aplica?

2. CCBB do Rio – visita mediada pelo curador Hélio Márcio Dias Ferreira da Exposição Ivan Serpa

A seleção de obras apresentada pelo curador intercala a apresentação do artista, da sua forma de trabalho, da técnica e história. Percorrendo a exposição Hélio Ferreira mostra as obras segundo um recorte próprio, como não poderia deixar de ser.

Muito interessante poder ver esses raros momentos em que o curador pode falar com um grande público, confinado e tendo como único meio visitar exposições mediadas ou filmadas.

O curador nos contamina com sua paixão pela obra e pelo artista. Porém a apresentação é um pouco longa e o animado curador, um pouco prolixo, se considerarmos o tipo de mídia em que a exposição é apresentada.

Ivan Serpa no CCBB do Rio de Janeiro

3. BANSKY EM CASA

Bansky no seu banheiro: O contraditório e divertido Banksy resolveu criar (e expor) em seu banheiro, com seguinte título: My wife hates it when I work from home. (Minha mulher odeia quando eu trabalho em casa).

Com o tema já familiar dos ratos, e a impossibilidade de “expor” suas obras já que em geral cria obras a céu aberto, Bansky cria uma obra em sua própria casa e a expõe para o mundo no instagram e no seu site.

Interessante observar a “volta” do momento em os próprios artistas escolhem a maneira como vão expor, como acontecia no início do século passado:

“No passado, entretanto, a coisa não era bem assim, já que o próprio artista era muitas vezes curador, montador e vendedor de suas obras. Cabiam a ele os critérios para a montagem da exposição. Exposições não institucionais, como a histórica mostra de Courbet que ele próprio realizou no espaço a que chamou Pavillion du Réalisme, em 1855 ou ainda, no âmbito nacional, a controvertida Exposição de arte moderna organizada por Anita Malfatti, em 1917, e apresentada num salão na rua Líbero Badaró, em São Paulo, são exemplos dessa prática do artista.

Foram artistas também que, a partir dos anos de 1920, começaram a inovar a maneira de distribuir as obras no espaço, até então padronizada pelo Louvre, ou seja, com as obras ocupando toda a parede, separadas apenas pelas molduras. Assim, grandes nomes da arte moderna internacional como Kurt Schwitters, El Lissitzky e Marcel Duchamp contribuíram de maneira definitiva para uma nova maneira de apresentar a produção de arte moderna”. Vide texto completo na exposição que apresentamos na semana passada: https://artsandculture.google.com/exhibit/a-arte-de-expor-arte/sgICVbQQ8IsKJA

Duchamp também pode ser referenciado aqui não só pela exposição feita pelo artista, mas pela sua obra de arte no banheiro, com seu famoso mictório, a “Fonte”.

Poucas obras de arte impactaram e influenciaram tanto a maneira como se a vê a produção cultural quanto Fonte, do pintor, escultor e poeta francês Marchel Duchamp. Cem anos depois de sua criação, a obra mantém acesa a discussão em torno do seu valor e do que é ou não arte.”

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2017/03/14/interna_diversao_arte,580402/voce-sabia-que-um-mictorio-mudou-o-rumo-da-arte.shtml

4. MUSEU DO ORATÓRIO – Oratórios: a religiosidade no cotodiano

Link para o site

O interessante “passeio” pela exposição não pretende similar o ambiente do museu.

O Museu entende que o espaço virtual e o físico são muito diferentes para que se transmita o conteúdo da mesma maneira. Ele cria então uma exposição em que se é possível entender o recorte da curadoria. As “aberturas” de salas ficam bem claras pela marcação de textos de cores bastante diferentes.  É possível enxergar as obras em detalhes.

O contraste entre fonte e fundo dos “textos de aberturas de salas” é bastante gritante (roxo + amarelo) e dificulta a leitura. É possivel abrir a ficha museologica completa das obras e depois ver os seus detalhes, mas isso é feito em uma nova janela e se torna pouco prático.

5. PINACOTECA – EXPOSIÇÃO DE LONGA DURAÇÃO

link para o site

O passeio virtual pelo segundo andar da pinacoteca permite ver uma planta geral em 3D da pina antes de selecionar uma sala.

Nele pode-se ver as legendas em destaque e dar zoom nos textos de abertura das salas, lendo na íntegra, porém só se pode se ler as legendas determinadas pela exposição, que são poucas por sala. O ponto mais prejudicado são as obras de arte, que são em grande parte distorcidas como no google street view e também não permitem a aproximação, ficando muito pequenas.

6. MUSEU AFRO

https://artsandculture.google.com/partner/museu-afro-brasil

O passeio virtual pelo museu é semelhante ao google street view.

Nele é impossivel ler as legendas e uma parte dos textos de parede. A grande profusão de obras confunde um pouco e fica difícil focar em algo.

Como as obras são grandes e é permitida uma boa aproximação, há um nível de detalhes possível de visualizar melhor do que os da Pinacoteca, mas o zzom grande desfoca as imagens. O subsolo pareceu ser amelhor experiência.

Muito mais interessante que a visita virtual, outras experiências no próprio museu se destacam, como a entrevista com o curador, em que ele explica de forma sucinta a exposição. Porém essa visita mediada ao espaço parece fazer mais sentido no universo digital. 

Museu Afro Brasil

7. INSTITUTO TOMIE OHTAKE – “Tomie Ohtake – Poesia se Medita”

Na forma de um filme em que um visitante vai percorrendo a exposição e mostrando quadro a quadro, o que vê. Sem nenhum som.

Nele é possivel parar o vídeo e apreciar um pouco mas a luz e os ângulos de leitura as vezes são bastante ruins. A noção especial se perde.

Considerações sobre as experiências: uma visita virtual que prentende entrar no museu e simular uma visita real, acaba se tornando confusa e com muitos itens para se ver. Infelizmente o espaço virtual não pode ser substituído e outras maneiras de mostrar os objetos para o “visitante” de maneira que ele possa apreender o conteúdo talvez seja mais eficaz.

O excesso de objetos e informações no espaço físico já dificulta o foco e a compreensão dos conteúdos propostos pela curadoria. No espaço virtual isso se amplifica e a exposição acaba perdendo o interesse pela falta de foco.

São aqui mostradas aqui então diversas experiências de visitas virtuais a exposições. Qual delas você mais aprecia? Porque?

_________

Curta nossas redes sociais:

Insta: @criticaexpografica | Face: facebook.com/criticaexpografica

_________

Crítica Expográfica é escrito por Renata Figueiredo Lanz, que, além de produtora de conteúdo neste blog também é diretora de criação da Renata Figueiredo | design gráfico + expografia . Para entrar em contato envie um e-mail para renata@refigueiredo.com.br

_________

Gostou do post ou tem uma outra opinião? Deixe seu comentário abaixo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s