Conheça museus realmente interativos (e pare de ser enganado)

Atualmente no Brasil os termos “interatividade” e “experiência multisensorial” são alardeados como um grande ganho ao visitante, convidado a fazer filas na frente dos museus.

Chegando lá, a grande decepção. O museu (supostamente) interativo é na verdade um espaço repleto de gadgets tecnológicos que seguem a lógica abaixo, do artigo “O fetiche da interatividade em dispositivos museais: eficácia ou frustração na difusão do conhecimento científico”:

“o uso recorrente e irrefletido das novas tecnologias nas salas de exposição tem levado a uma sacralização equivocada dos dispositivos digitais como melhores alternativas para a instauração da interatividade e do prazer nas experiências museais”*

Ou seja, os gadgets supostamente interativos são prioritários e predominantes na exposição, em detrimento da experiência real. Chegamos agora ao limite em que a exposição é somente o dispositivo interativo, como na exposição sobre Leonardo Da Vinci em São Paulo no MIS Experience.

Porém, hoje procurando outro tema, encontrei um exemplo significativo de interatividade, experiência multissensorial e ainda uma experiência memorável no museu. Isso tudo trabalhado com crianças, criando uma primeira experiência no museu a ser lembrada para o resto da vida, e consequentemente uma memória afetiva que os farão voltar a esse espaço.

As experiências vistas e descritas no vídeo abaixo podem ser analisadas de dois pontos de vista (no mínimo).

  • interatividade e multisensorialidade. Esses conceitos são percebidos realmente acontecendo. Veja o nosso artigo sobre interatividade. Já em relação a experiência multissensorial perceba como os cinco sentidos (tato, olfato, visão, audição e paladar) são efetivamente trabalhados nessas atividades.
  • considera a fase do desenvolvimento infantil e não tenta “encaixotar” a criança em um universo em que não se pode tocar, correr ou experimentar. Segundo Rudolf Steiner**, a criança de 0 a 7 anos usa todas as suas forças para o desenvolvimento do seu corpo. Por isso a idéia de ficar parado em frente a um objeto sem poder tocá-lo ou experimentá-lo parece entediante e gera rápida dispersão e desinteresse. Sensações e impressões que podem ser levadas para toda a vida.

Por outro lado, experiências criadas pelo Tropenmuseum Junior em Amsterdam, não foram premiadas à toa. Criam de fato experiências que são relatadas por adultos anos depois como algo memorável, que criou uma relação afetiva com os museus.

De Qi van China – Chinatour voor scholen no Tropenmuseum

Nela, de fato, a interatividade a experiência multissensorial foram muito além da mera publicidade imediatista.

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Crítica Expográfica é escrito por Renata Figueiredo Lanz, que, além de produtora de conteúdo neste blog também é diretora de criação da Renata Figueiredo | design gráfico + expografia . Para entrar em contato envie um e-mail para renata@refigueiredo.com.br

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7 museus com temas muito estranhos (mas que valem a visita)

Quando visitei o Museu da Batata Frita (Frietmuseum) em Brugges, achei que já tinha visto o museu com o tema mais estranho na minha vida. Não. Nem sei se conseguirei chegar a ele. Mas a curiosidade me leva a visitar um museu desse tipo para rever os meus preconceitos.

Esse museu me surpreendeu positivamente. Confesso que fui esperando por um parque temático apenas, sem comprometimento com a aquisição de novos conhecimentos pelo público. E então me surpreendi com uma característica expográfica rara: o museu considera a existência do público infantil. Pode parecer obvio, mas quase nenhum museu considera o público infantil em sua expografia.

O Frietmuseum tinha uma comunicação especial para este público. Abaixo dos painéis contando a história das batatas no mundo e a sua introdução na Europa, etc, ele tinha uma explicação simples e divertida para os mesmos conceitos, no painel logo abaixo.

O que impressiona também é que, mesmo para as crianças em fase pré-escolar, o museu tem objetos na altura delas, muitos que podem ser tocados (e não estão isolados em vitrinas) e experimentados por este pequeno público em formação.

Painel embaixo do dos adultos com história resumida e adaptada ao público infantil. Fonte: http://www.frietmuseum.be/en/press.htm

Então, mesmo se apresentando de forma bastante despretenciosa, esse museu me mostrou uma forma de tratar o público muito interessante.

E claro, o museu cheira batata frita. O visitante obviamente ganha uma no final: será uma experiência multisensorial?

Porém ele não é único no mundo com temas diferentes e exóticos. Existem muitos outros. Um pequeno universo, cito aqui:

• Museu da Salsicha: o Deutsches Bratwurstmuseum fica em Holzhausen.

O Museu da Salsicha se mudou de lugar por ser construido em um antigo Campo de Concentração alemão.

• Museu do Chocolate: também em Brugge, mas impossível de visitar depois de comer tanta batata.

Museu do Fracasso: mostra os erros e absurdos na criação de novos produtos, como uma mascara de beleza que tira rugas através de choque elétrico ou uma Coca cola sabor café.

• Museu Fálico da Islândia

• Museu da Privada, na Índia

• Museu das Baratas, nos EUA.

Minha curiosidade por conhecer museus jamais chegaria a esse último.

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