Problemas em iluminação de exposições

Nas exposições o projeto de iluminação podem enfrentar alguns tipos de problemas, tais como:

Excesso de iluminação

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O excesso de iluminação provoca ofuscamento: na tentativa de deixar o ambiente claro, pode-se:

  • exagerar na quantidade de luminárias
  • combinar iluminação natural com artificial gerando ofuscamento
  • utilizar grandes panos de vidro transparente, que deixem a luz solar entrar diretamente, incidindo nos objetos expostos ou textos.

 

Falta de iluminação

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Apesar de no exemplo a escuridão ser intencional, esse erro de iluminar pouco tentando criar um “clima” é bastante comum nas exposições.

A falta de iluminação em determinados ambientes, visando causar uma dramaticidade cenográfica, faz com que a leitura dos textos ou das obras seja dificultada ou, as vezes, impossível.

Isso faz com que os visitantes tenham dificuldade de enxergar o que ocorre e percam o interesse pelo que é exposto. Pode parecer estranho, mas o conforto do visitante (físico e emocional) é fundamental para que ele continue na exposição.

 

Reflexos

Talvez este seja o erro mais comum das exposições. O trabalho com vidros deve ser sempre muito cuidadoso pois os reflexos são inevitáveis, portanto devem ser estudados. Podem ocorrer principalmente de duas formas:

  • A iluminação focada em vidros causam reflexos que tornam textos ilegíveis. Além disso, o uso de vidros grossas também faz com que, quando a luz incida neles, os textos se dupliquem, tornando-se ilegíveis também.
  • A iluminação natural pode provocar grandes reflexos também, prejudicando a visualização da imagem e a leitura dos textos.

Veja dois exemplos do Musée du Quai Branly em Paris.

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Salles d’exposition
musée du quai Branly
Salles d’exposition

 

Luz focada em textos

A distância inadequada ou o tipo de luminária as vezes pode provocar um efeito de ofuscamento nos textos. Por exemplo uma parede vermelha, com texto branco.

Veja que a foto abaixo foi tirada de lado pois se fosse frontal, a iluminação sobre o texto impossibilitaria a leitura deles. Nesta exposição de Caravaggio, este efeito de ofuscamento ocorria desde a entrada.

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Para ver mais sobre esta exposição de Caravaggio: https://criticaexpografica.wordpress.com/2012/06/19/critica-expo-caravaggio-em-bh/

 

 

Como acertar na iluminação da exposição?

Já fiz diversas críticas aqui em que eu falava sobre a iluminação de uma exposição que visitei. Mas, afinal, o que é uma boa iluminação em exposições? Depende.

Uma vez ouvi: aquele que não sabe usar iluminação em exposições, melhor utilizar luz difusa. Ou seja, seria o “pretinho básico”, em que se tem poucas chances de erro. Mas, em um universo com dezenas de opções, porque não ir além?

E então, quais são as alternativas? Vamos por partes: temos, a princípio, duas opções: luz natural e artificial.

A luz natural é a luz do dia, do sol, enfim, a “luz de Deus”. A grande vantagem da luz natural é que ela tem um excelente IRC (índice de reprodução de cor). A desvantagem é que ela varia ao longo do dia e, obviamente, não existe a noite. Então, podemos contar com ela, mas não pode ser a única fonte de luz. Também deve-se tomar cuidado com a forma como ela incide sobre as obras de arte, por exemplo, para não causar danos a estas.

Quando incide sem filtros, a luz natural direta, incide diretamente sobre o ambiente e provoca sombras e marcas de sol bastante constrastantes e marcadas, como no exemplo abaixo, da Pinacoteca de São Paulo, a Pina.

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Luz natural direta na Pina. Fonte:  revistadecorar.com.br

 

Já a luz natural difusa, conta com um “difusor”, ou seja, um elemento como um vidro ou acrílico com certa opacidade que faça com que os raios não incidam diretamente, mas se difundam. Ela também não está diretamente direcionada para o elemento a ser iluminado.

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Jonh & Mable Ringling Museum of Art Sarasota. Fonte: dispatch.com

 

A luz difusa (seja natural ou artificial) se espalha no ambiente e não gera sombras marcadas, fortes.

A iluminação artificial apresenta uma grande gama de possibilidades:

A Iluminação difusa direta geral, segue o mesmo princípio da natural, só que é produzida por uma fonte artificial de luz (lâmpada).

fonte: http://images.adsttc.com/media/images/5671/c845/e58e/ce6d/b500/0034/medium_jpg/07119_151130-033D.jpg?1450297405
fonte: http://images.adsttc.com/media/images/5671/c845/e58e/ce6d/b500/0034/medium_jpg/07119_151130-033D.jpg?1450297405

 

Iluminação difusa focada: não voltada diretamente para o objeto, tem a sombra mais suave.

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Iluminação de realce: destaca um objeto importante da exposição.

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Iluminação Focal Mista: no caso abaixo temos a combinação entre luz difusa e luz focada.

Screen Shot 2016-05-17 at 6.00.24 PM.png

 

 

Estes são apenas alguns dos tipos de iluminação possíveis. Em geral, em uma boa exposição são combinados diversos tipos de iluminação. Algumas focando ou realçando objetos e algumas fazendo a iluminação geral.

No próximo post, falaremos um pouco sobre os problemas que ocorrem na iluminação de exposições.

 

Para saber mais, veja alguns aspectos mais técnicos sobre iluminação:

http://angelaabdalla.blogspot.com.br/2010/07/iluminacao-de-museus.html

Clique para acessar o iluminacao_de_museus_galeias_e_objetos_de_arte.pdf