Fundamentos da expografia em 1940!

Para quem acha que análise de exposições é algo novo, este artigo vai quebrar alguns paradigmas. Herbert Bayer, arquiteto e designer, foi aluno e mestre na Bauhaus.  Publicou em 1939/40 um artigo em que estabelecia as bases para um bom design de exposições e analisa alguns casos.

Este professor começa o artigo falando sobre a multidisciplinaridade da expografia, que abrange as áreas da tipografia, arquitetura, filmes, entre outros, com todas as facetas do design.

  1. O primeiro item abordado é a planta e o direcionamento do visitante. Para construir uma exposição em que não haja problemas de tráfico de visitantes em direções contrárias e o visitante consiga absorver os conteúdos na ordem proposta, Herbert Bayer propõe um circuito organizado em uma direção apenas, conforme o gráfico abaixo.

01_planta

 

Segundo ele, muitos itens do design da exposição vão direcionar o visitante para o percurso correto, além da planta, como a direção de leitura, sons, entre outros.

02_planta

E ai ele vai além, extrapolando nas formas de condução do visitante, sendo análogas a um aeroporto ou shopping center: “the visitor might also be conducted throught the exhibition by a mechanical device such as a moving carpet, and thus perforce a few examples from the past which assume importance here”.

São citados então alguns exemplos e é ai que começa a análise de casos expositivos:

03_planta

Ele coloca a simetria e geometria dos locais de interesse como algo negativo, que não ajuda ao direcionamento e deixa o visitante confuso. No caso abaixo, da Inglaterra, se vê que não foi feito um estudo de direcionamento. A assimetria também é negativa (caso de Berlim), quando não é bem fundamentada.

04_planta

 

2. O segundo item a ser considerado são os movimentos do visitante. Ao contrario de um livro, em que as paginas se movem e o visitante fica parado, na exposição é o visitante que se move diante de um dispositivo estático. Portanto, a sucessão das salas deve seguir uma sequencia narrativa, seguindo a ordem da direita para a esquerda.

3. Considera-se também, a perspectiva do olho do indivíduo, que tem uma distância fixa em relação ao chão. O indivíduo pode ampliar o campo de visão movimentando os olhos e a cabeça. A perspectiva neste campo pode ser largamente ampliada mas, segundo Bayer, nos anos 40 ainda tinha sido muito pouco explorada. Triste constatar que até hoje ainda são poucas as exposições que exploram um maior campo de visão do visitante de maneira coerente e interessante.

Muitas exposições da Bauhaus acabaram por fazer testes com essas ampliações, como pode ser visto em um artigo deste blog sobre a exposição “Deutcher Werkbund” em que se vê alguns experimentos reais do exemplo abaixo:

05_perspectiva

 

4. Os materiais utilizados, tais como as cores, são a sensação de textura, amplitude ou diminuição dos ambientes, etc. Bayer destaca a tremenda variedade surgida em sua época e como isso seria enriquecedor para as exposições. Infelizmente no século XXI, apesar da imensa variedade de materiais existentes, parece que grande parte das exposições optam pelo básico, prático e barato conjunto de mdf com vinil adesivo impresso.

Esse post foi baseado no artigo de Herbert Bayer, “fundamentals of exhibition design”, publicado na resist PM 6 (production manager) de dez/jan 1939/40, p. 17-25.

3 comentários sobre “Fundamentos da expografia em 1940!

  1. Fico cada vez mais encantada com a ecografia, para mim, parte importantíssima da exposição. Esses artigos são maravilhosos e bem instigantes.

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