Como se forma um profissional de expografia?

Como se forma um profissional de expografia? De que área ele vêm? É um arquiteto, um designer, um publicitário, um museólogo, ou o que?

Com esta questão, Marília Xavier Cury encerrou a sua fala na minha apresentação do mestrado. Desde então venho refletindo a respeito.

Muita coisa mudou nestes últimos anos. Expografia parece ser o assunto da moda. Os número de cursos e profissionais que procuram se especializar na área tem crescido nos últimos anos. A preocupação com o tema tem aumentado (graçaaaaas a Deus) e isso fez com que o interesse geral, no Brasil e Exterior, aumente cada vez mais.

Novas pesquisas de mestrado e doutorado estão pipocando. Quando fiz o meu mestrado, o tema era praticamente único. Outro dia, conversando com a minha antiga orientadora, ela disse que cada vez mais tem sido procurada por pesquisadores da área querendo orientação para estudar exposições. Há um ano, na França, conheci um casal francês, que a filha era profissional de expografia e eles disseram: é a profissão da moda aqui na Europa.

Por isso, fiz uma breve pesquisa de cursos de pós graduação existentes na área. E os cursos com disciplinas na área de exposições são, basicamente:

USP 

Programa de pós graduação Interunidades em Museologia. Disciplina: Comunicação e Expografia

Programa de pós graduação Interunidades em Estética e História da Arte. Disciplina: Espaços da Arte: história das exposições e arquitetura de museus

Senac

Pós Graduação em Design de Interiores. Disciplina: Expografia

Pós Graduação em Curadoria em Arte. Disciplina: Museografia, Expografia e Comunicação

Belas Artes

Pós graduação em Museologia, colecionismo e curadoria. Disciplinas: Montagem de Exposições: processos ; Montagem de Exposições: Sistema de Ações Museológicas; Concepção, Planejamento de exposições

Faculdade Paulista de Artes

Pós graduação em Curadoria e Montagem de Exposições

Percebe-se que o posicionamento deste profissional ainda é interdisciplinar, pois ele tem que ter conhecimentos em diversas áreas, como:

  • Arquitetura: ler plantas, entender sobre percursos e a relação dos elementos com o espaço construído.
  • Design gráfico: analisar a relação das cores com o tema, escolher uma tipografia adequada que converse com o tema e que esteja localizada de forma que o observador consiga ler confortavelmente, pensando tanto na posição em que observador estará (evitando contorcionismos ou dores em pescoço e coluna) quanto na distância dele para o suporte (pensando que a fonte não pode ser nem pequena demais, nem grande demais), o que exige inúmeros testes a respeito. O projeto gráfico deve ser atraente, pensando que este formato – a exposição – é único e tem um funcionamento muito diferente de um livro ou um site.
  • Design Industrial: muitas vezes o profissional é requisitado a pensar na forma do suporte da exposição. Em geral, com o apoio da empresa que produz os suportes, é possível fazer um projeto para isso.
  • Museologia e Museografia: Sem um conhecimento do conteúdo e do público que frequenta esta exposição, é muito difícil estabelecer um discurso coerente, um percurso adequado, uma exposição em que todas as áreas conversem. A base da expografia começa aqui.

Portanto, respondendo a expografia é interdisciplinar, atravessa diversas áreas e a formação do profissional não se dá por apenas um curso de pós graduação ou uma graduação. Mas por uma formação abrangente, atravessando diversas áreas. Mas claro, isso para fazer exposições de qualidade.