A cidade como espaço expositivo | Projeto Giganto

Projeto Giganto. foto: http://projetogiganto.com
Projeto Giganto. foto: http://projetogiganto.com

O uso da cidade como espaço de exposições não é uma novidade, mas sempre podemos nos surpreender com as novas iniciativas.

Desta vez temos o Projeto Giganto, em que gigantografias são cololocadas nas colunas do Minhocão, usando a arquitetura da cidade como suporte para a exposição fotográfica.

Projeto Giganto. foto: http://projetogiganto.com
Projeto Giganto. foto: http://projetogiganto.com

Segundo o site do projeto (projetogiganto.com): “A proposta é uma fotografia ativa, onde obra e espectador se confundem. Cada Giganto é único, pois o local onde será instalado inspira o tema e conduz a pesquisa pelos personagens. Diluindo barreiras entre arte, antropologia visual e intervenção urbana, o projeto propõe captar a potência dos olhares e revelar a essência dos retratados. ”

A iniciativa é muito interessante como projeto de democratização do espaço expositivo – ou da arte – já que leva esta até o público e não o contrário. É interessante também como crítica, já que, aumentando significativamente o rosto dos moradores e comerciantes da região, somos obrigados a olhar para as pessoas e, principalmente, para as suas expressões faciais. Ou seja, temos que olhar para algo que, cada vez mais, ignoramos: o outro.

Projeto Giganto. foto: http://projetogiganto.com
Projeto Giganto. foto: http://projetogiganto.com

Museu Guimet: é importante orientar o visitante?

fonte: Flickr. fotografo: Hanuman.
Musée Guimet. fonte: Flickr. fotografo: Hanuman.

O Museu Guimet, em Paris, é um museu de artes asiáticas. Foi criado originalmente por Emile Guimet para ser um museu das religiões, em especial, das asiáticas.

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Museu Guimet. Biblioteca de Emile Guimet. Fonte: Flickr.

 

O museu oferece gratuitamente um audioguia e um mapa para fazer o percurso. Pegando o audioguia e entrando no espaço expositivo, o aparelho sugere um percurso.

Olhando no mapa, eu, como visitante, já estava perdida: este percurso não corresponde à entrada da exposição, seguindo em frente – como na maioria dos museus – e começa então uma busca do visitante por encontrar onde seria este suposto início, pela India. Algo confuso, para quem entra e espera seguir em frente, atraído pelas estátuas em pedra.

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Museu Guimet. fonte: site do museu.

Persisti. Mas não consegui saber qual a conexão ou estabelecer uma continuidade entre as salas, muito menos definir qual seria o percurso pensado para um suposto visitante modelo – definição proposta pelo autor Jean Davallon, que diz existir, durante o processo de produção de uma exposição, a figura de um visitante dito “modelo” usado para pensar e prever os movimentos esperados de um visitante durante a sua visita a uma exposição. O visitante modelo ajuda a pensar a lógica de construção de uma exposição.

Não sou antropóloga, arqueóloga ou estudo ciência afins. Sou apenas uma mera visitante de exposições, que precisa (sim, precisa!), como a maioria dos seres humanos (os mortais, ao certo), entender a lógica e a sequencia de uma exposição quando entra nela ou olha um mapa. Segundo Giulio Carlo Argan, o ser humano tem essa necessidade de ordenar e classificar as informações. Eu, como ser humano, preciso, portanto, dessa idéia.

Analisando então mais minuciosamente a comunicação do museu, me dei conta que no percurso das salas é percebida também a abundância de informações, seja na entrada das salas ou nas placas auxiliares. Porém, muitas vezes, a organização e sequência dessas informações não é clara.

Percorrendo o espaço e observando os dispositivos comunicacionais, é possível perceber alguns pontos interessantes:

• as placas de legenda tem um interessante suporte que permite uma boa flexibilidade. Caso as peças sejam movidas de lugar, eles podem facilmente fazer a alteração. É uma pena que eu tenha perdido as minhas fotos da visita, pois este recurso realmente é interessante. Segue abaixo uma foto encontrada no Flickr, que mostra um pouco como é este recurso.
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Placas de legendas no Museu Guimet. foto: Flickr. fotografo: Jerry Akieboy.
• o ambiente que fala de Mianmar, apesar da pequena quantidade de peças, destaca-se por um interessante artificio utilizado para “quebrar”  a sequência do percurso: um pequeno ambiente construido em madeira, que mostra ao visitante que está passando por uma outra cultura, mas não perde a harmonia do ambiente.
Porém o que fica para o visitante deste museu – apesar da abundância de placas de sinalização e informação sobre o conteúdo das salas – é a grande sensação de estar no caminho errado. De repente você se descobre no início da China mas, em um momento anterior, achou que estava do lado errado do budismo (pois a cronologia percorrida foi dos dias atuais ao início dos temos).
Uma outra confusão comum, se dá com os idiomas. Comum em alguns museus franceses, diga-se de passagem, já que o Musée du quai Branly sofre do mesmo mal. As placas informativas estão todas em francês. Já os textos sobre de contextualização histórica, estão em francês e inglês e francês. E, finalmente, o audioguia é mais rico em idiomas, mas ignora a língua portuguesa.
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