A cidade como espaço de exposições

Há muitos anos ouço falar de alguns tipos interessantes de propostas de visitas guiadas por exposições a céu aberto na cidade. Ou melhor, da cidade sendo utilizada como pano de fundo para uma grande exposição.

Certa vez um professor de história da arte comentou sobre uma iniciativa em Nova York, em que a pessoa alugaria um audioguia e sairia pela cidade, sabendo sobre os museus, parque, etc. Isso parece ter causado um furor inicial, mas antes que os museus privados tentassem vetar a experiência, perceberam um aumento significativo da sua visitação.

 

Há alguns anos, morando em Paris, percebi a evolução desta intenção: um aplicativo para iPhone que traz diversos tipos de informação sobre o patrimônio. Funcionando associado ao Google Maps, ele pode dizer ao usuário quais são os locais de interesse (monumentos, museus, parques, entre outros) próximos do local onde este visitante se encontra. É possível também escolher roteiros de visita, como, por exemplo, um passeio denominado “Vestígios da Paris da Antiguidade” que envolve museus (como as ruínas dos os banhos romanos do Museu de Cluny), pontes, praças e criptas.

São Paulo então criou no ano passado uma intessante iniciativa neste sentido, chamada “Arte fora do museu”.  Este projeto, que envolve pelo menos um site e um aplicativo para iPhone (não verifiquei as outras possibilidades de smartphones) faz com que a arte pública se torne acessível a qualquer um que esteja conectado a internet.

Foram mapeados grafites, esculturas, murais, prédios e outras obras urbanas espalhadas pelas ruas. Nele, você pode ouvir o artista falando sobre a própria obra ou, por exemplo, um outro arquiteto falando sobre a obra de Oscar Niemeyer.

Segundo Adriana Delorenzo, em “ blog das cidades” este site começou a ser traduzido no ano passado para o inglês, pretendendo ser acessível a turistas estrangeiros. Veja mais em: http://revistaforum.com.br/blogdascidades/2012/07/10/arte-fora-do-museu-mapeia-obras-que-estao-nas-ruas-de-sao-paulo/

O projeto, uma iniciativa de Felipe Lavignatti e Andre Deak, nos faz ter um olhar diferente sobre a cidade. Podemos parar alguns minutos no meio da cidade e descobrir as obras de arte em meio ao caos, nos mostrando que a nossa cidade pode ter um valor cultural muito maior do que supomos.